15 janeiro, 2013


Não sabemos da alma senão da nossa;
As dos outros são olhares,
são gestos, são palavras,
com a suposição
de qualquer semelhança
no fundo.

(Fernando Pessoa)

"Mais uma vez vou me resignar às memórias porque não tive coragem de construir nada concreto. Sou estúpida mesmo."

(Gabriela Alves)

12 dezembro, 2012

Hoje quando entrei nas redes sociais me deparei com uma chuva de comentários sobre a data 12/12/12. Todos comentando sobre ser a última data de números iguais nos próximos anos. Eu me senti estranhamente roubada, invadida, minha loucura individual sendo tirada de mim. Sei que é um egoísmo doente, mas minha superstição íntima virou uma modinha, de repente, como se todos sempre tivessem se importado com isso. É algo extremamente sem sentido, mas EU me importei todos esses anos. EU passei 12 anos anotando em meus diários, sem interrupção, todas as datas iguais, que não tinham nenhum significado exato, mas provocavam sensações em mim; passei esses 12 anos descrevendo essas sensações.
EU tenho o direito de ficar triste por ser o final desse ciclo. E sim, eu estou estranhamente triste e vazia. ESSA LOUCURA É MINHA, tá legal?
Lembro claramente da caneta traçando o papel, da criança por trás dela com dedos rápidos e coração puro.

"Querido diário, hoje é o primeiro dia do ano. Hoje é dia 1 do mês 1 do ano de 2001. 01/01/01. Legal né? Agora vou poder anotar essas datas todo ano, até 12/12/12, que vai ser a última. Mas ainda tá muito longe, né? rsrs"

É, estava muito longe ainda, pequena criança, mas o tempo passa depressa e tudo vira apenas uma lembrança embaçada, páginas amareladas, mãos calejadas...
Só quero ficar em paz com meu luto e com a minha loucura.
12/12/12, pra nunca mais.
Fim de alguma coisa que ainda não sei o quê, mas que meu coração grita: "Vai fazer muita falta".

29 novembro, 2012


Palavra de hoje: VAZIO

Ontem à noite, a noite tava fria... Tudo queimava, mas nada aquecia... ♫

27 novembro, 2012

Foi a primeira grande perda da minha vida.
Talvez por isso seja tão difícil de assimilar.
Geralmente eu caminhava e deixava tudo pra trás, e sempre podia voltar, se quisesse.
Dessa vez foi diferente.
Você tomou um rumo diferente, saiu da minha estrada, me excluiu dos seus sonhos.

Percebi que haviam pequenas coisas perfeitas no meio dessa imperfeição toda que somos eu e você.
Percebi todas essas coisinhas tão naturalmente bonitas e cômodas que me mantêm aqui. Esse equilíbrio de soluções impróprias para problemas improváveis e ligações tão doces para um amor tão abatido.
As vezes é assim, no meio de tanto bombardeio eu vejo uma delicada flor que nasceu ali, no meio das crateras, e sinto vontade de regá-la; mas acabo sempre a matando de tanta água.
Então eu paro e observo. Assim, bem de vez em quando. Depois ela morre. E nasce de novo; mas sempre morre. E é estranho explicar como algo tão imperfeito como uma flor solitária que murcha frequentemente pode parecer tão bonito assim.
Eu percebi que aquela sua mania de pegar meu suco preferido antes mesmo que eu o peça me encanta. Percebi que a simplicidade de quando nos sentimos confortáveis um com o outro me enche de esperança.
E entendi que no meio de um jardim florido eu não poderia reparar tão bem a beleza frágil de uma única flor.

23 novembro, 2012

'E eu deveria parar de buscar sinais em tudo que vejo e ouço. Eu tenho me esforçado em ganhar a atenção dele, e uma esmola dessa atenção me faz perder o sono. Será que eu não enxergo que ele apenas se rendeu à minha inconveniência?
Tenho que parar de achar que uma mensagem qualquer traduza algum tipo de sentimento. É tão mecânico.
Mas é inevitável. Meu coração fica aos pulos, e a esperança reacende dentro de mim... Eu REALMENTE deveria parar de ser tão tola. Mas o amor é mesmo o mais tolo de todos os sentimentos.

(...)Não existe remédio. A insegurança é eterna. Quem tem certeza não ama mais(...)



(Carpinejar)