Vê aquele cara na fila da livraria? Aquele, com um livro de romance nas mãos, batendo o pé freneticamente pra espantar a impaciência, de camisa gola pólo vermelha e um cordão dourado com pingente de ferradura?
Viu?
Ele odeia livros de romance. Na verdade, ele não gosta muito de ler. De longe, observo o olhar dele percorrer os marca textos, os post its, as canetinhas. Sei que nada daquilo o chama atenção. Mas ainda assim ele olha tudo, puxa um marca páginas com um desenho bonito e enfia desajeitadamente entre as páginas.
Eu ando disfarçadamente por entre as prateleiras e o ouço conversar com alguém. Paro para admirar aquele sorriso e escuto ele dizer, cheio de orgulho, que a namorada dele é muito inteligente e ama ler. Que ela leria um livro por dia se tivesse tempo e que está ali por ela.
Aquele livro que ele segura é pra mim.
Não olha pro meu rosto agora, meus olhos estão um pouco molhados, deve ser o tempo, talvez o ar condicionado. Olha pra ele. Repara o jeito surpreso como ele me abraça quando me vê, coloca o livro nas minhas mãos e me dá um beijo rápido na testa. Será que você enxerga o mesmo que eu? Será que vê nos olhos dele o mesmo amor que ele me faz sentir?
Tá, pode dizer que eu sou mesmo uma manteiga derretida. Mas meu namorado é o cara mais lindo do mundo inteiro.
28 março, 2016
Cotidiano
A minha cachorrinha de estimação dá o alerta. Primeiro, um latido, depois, um resmungo choroso, e então vem correndo e, abanando o rabo, chora, lambe meus pés e corre em direção ao portão. Eu sei quando ela sente seu cheiro, ela sente sua presença muito antes da sua chegada, e, anúncio dado, eu corro para o portão com um brilho inconfundível nos olhos.
Eu gostaria de poder descrever fielmente a sensação de conforto que o seu cheiro me dá. Uma mistura cítrica da lavanda da sua roupa e da excentricidade do seu perfume que me embriaga e me faz flutuar. Descrever como qualquer lugar parece meu quando durmo enroscada nos seus braços e como não tenho medo de nada quando você segura minha mão. Às vezes chega a ser doentio a maneira como a minha saudade se manifesta, desesperada, mesmo quando você está por perto. Me faz pular no seu colo no meio de uma faxina e beijar sua boca com paixão.
Eu nunca soube antes como era dormir ao lado de alguém, dia após dia, sem medo do amanhecer; Acreditava ser normal padecer de ansiedade pela partida de um cara que nunca ficava depois que o dia nascia. Aceitava, conformada, o pavor das quintas feiras, dos sumiços repentinos, do abandono. Mas agora não tenho palavras suficientes pra explicar a felicidade de partilhar meu cotidiano com o seu sem restrições, sem regras, sem traumas.
Você faz parte da minha vida de uma maneira única, e essa intimidade gostosa me surpreende a cada dia nos mínimos detalhes.
Eu gostaria de poder descrever fielmente a sensação de conforto que o seu cheiro me dá. Uma mistura cítrica da lavanda da sua roupa e da excentricidade do seu perfume que me embriaga e me faz flutuar. Descrever como qualquer lugar parece meu quando durmo enroscada nos seus braços e como não tenho medo de nada quando você segura minha mão. Às vezes chega a ser doentio a maneira como a minha saudade se manifesta, desesperada, mesmo quando você está por perto. Me faz pular no seu colo no meio de uma faxina e beijar sua boca com paixão.
Eu nunca soube antes como era dormir ao lado de alguém, dia após dia, sem medo do amanhecer; Acreditava ser normal padecer de ansiedade pela partida de um cara que nunca ficava depois que o dia nascia. Aceitava, conformada, o pavor das quintas feiras, dos sumiços repentinos, do abandono. Mas agora não tenho palavras suficientes pra explicar a felicidade de partilhar meu cotidiano com o seu sem restrições, sem regras, sem traumas.Você faz parte da minha vida de uma maneira única, e essa intimidade gostosa me surpreende a cada dia nos mínimos detalhes.
02 março, 2016
A conta
E quantas vezes você já fez ela chorar? Quantas? Muitas? O mesmo número de vezes que você fez comigo? Ou apenas o suficiente pra traumatizar ela pra sempre?
Confesso que atualmente tem algumas coisas horríveis dentro de mim, mas afirmo que foi você quem despertou a maioria delas. Eu nunca havia odiado ninguém. Não, nunca mesmo. Nem mesmo suas peguetes ou pessoas do meu passado que me magoaram muito. Mas aí você se esforçou um bocado pra me humilhar e anulou em mim qualquer resquício de empatia por pessoas do seu caráter.
Você não se dá conta, rapaz, mas é um lixo. Foi comigo e pior ainda com todas as que passaram antes. E está sendo com ela também, mesmo que negue, que me culpe e diga que só fez aquilo comigo porque eu deixei. Ninguém tem o direito de se aproveitar da ingenuidade alheia, e qualquer um que o faça, é um babaca. Talvez ela não seja tão ingênua como eu fui, mas a sua falta de caráter não vem de ninguém além de você mesmo. Pode ser que ela ainda ache que existe algo bom em você, talvez enxergue com a neblina da paixão, assim como eu enxerguei, mas um dia ela vai se dar conta das coisas que demorei anos pra perceber, vai te ver sem máscaras e quem sabe seja tarde demais pra ela. E, acredite, eu não quero vê-la chegar nesse ponto.
Mas não se ache único. Assim como você, 'tá cheio de outros por aí, eu sei; e isso só me faz ter ainda mais raiva. Uma multidão de mulheres sendo exploradas psicologicamente por canalhas como você e eu só queria não ter que ver, nunca mais, nenhuma delas passar por isso. E agora eu decidi que vou enviar a conta pra você.
Sei que já faz um bom tempo, mas o ódio é um veneno perigoso, rapaz. E eu não vou morrer sozinha envenenada por ele. Não vou deixar você jogar nas minhas costas o preço dos seus atos. E também não vou deixar que elas paguem pelos seus erros. Você vai pagar. Vai pagar caro por eu já estar pagando tanto.
Eu não era ruim antes de te conhecer. Você me tornou essa pessoa áspera e vingativa. E a conta por isso vai chegar também.
Sei que já faz um bom tempo, mas o ódio é um veneno perigoso, rapaz. E eu não vou morrer sozinha envenenada por ele. Não vou deixar você jogar nas minhas costas o preço dos seus atos. E também não vou deixar que elas paguem pelos seus erros. Você vai pagar. Vai pagar caro por eu já estar pagando tanto.Eu não era ruim antes de te conhecer. Você me tornou essa pessoa áspera e vingativa. E a conta por isso vai chegar também.
23 fevereiro, 2016
Liberdade
Esperei anos pra ver você voltar pra mim. Longos e tortuosos anos mantendo a esperança viva e evitando acreditar que minha melhor amiga tinha ido embora pra sempre. E então, numa tarde quente de sábado, você me ligou em prantos, e eu soube que tinha acontecido. A sua ficha tinha caído. Eu sabia que tava doendo pra caramba enxergar de novo a luz do sol, e fui correndo segurar sua mão, mas não disfarcei o sorriso quando você mesma bradou com força e propriedade que estava livre.
O cativeiro afetivo ainda é realidade de milhares de mulheres mesmo nos dias atuais, em meio a uma luta fervorosa do feminismo. E eu assisti de perto você ser vítima dele, se submetendo aos caprichos doentes de um machista qualquer, se rendendo à regras absurdas impostas pela pressão psicológica a qual era submetida. E eu fiquei ali, impotente, continuando esperançosa mesmo quando doía tanto em mim que eu só pensava em desistir. Eu já passei por isso também, embora por um tempo significativamente mais curto, e talvez seja esse fato que me manteve aqui, que manteve acesa a minha empatia mesmo quando seus atos me traziam irritação.
E num dia qualquer todo esse seu processo de libertação finalmente se concluiu. Pisquei algumas vezes pra ter certeza de que não estava sonhando e depois que seu pranto cessou eu saí pra te reapresentar ao mundo. Te abracei forte pra te reapresentar pra mim. Seu coração havia voltado a bater, seus cabelos cheiravam à vida. A fria barreira de gelo que nos separava finalmente pareceu ter ido embora pra sempre.
Obrigada por voltar, minha pequena, tava tudo muito triste sem você aqui.
O cativeiro afetivo ainda é realidade de milhares de mulheres mesmo nos dias atuais, em meio a uma luta fervorosa do feminismo. E eu assisti de perto você ser vítima dele, se submetendo aos caprichos doentes de um machista qualquer, se rendendo à regras absurdas impostas pela pressão psicológica a qual era submetida. E eu fiquei ali, impotente, continuando esperançosa mesmo quando doía tanto em mim que eu só pensava em desistir. Eu já passei por isso também, embora por um tempo significativamente mais curto, e talvez seja esse fato que me manteve aqui, que manteve acesa a minha empatia mesmo quando seus atos me traziam irritação.E num dia qualquer todo esse seu processo de libertação finalmente se concluiu. Pisquei algumas vezes pra ter certeza de que não estava sonhando e depois que seu pranto cessou eu saí pra te reapresentar ao mundo. Te abracei forte pra te reapresentar pra mim. Seu coração havia voltado a bater, seus cabelos cheiravam à vida. A fria barreira de gelo que nos separava finalmente pareceu ter ido embora pra sempre.
Obrigada por voltar, minha pequena, tava tudo muito triste sem você aqui.
01 fevereiro, 2016
Esse clichê é pra você
O dia a dia vai trazendo intimidade e seu conforto me parece cada vez mais essencial; Sua presença se tornou tão natural que tenho medo do efeito da sua ausência. Há quase seis meses você comprava o meu pão pela primeira vez e eu sequer imaginava que você tinha vindo pra ficar -de verdade-.
Nós não temos medidas, passamos dias dormindo e acordando do lado um do outro sem vontade de nos afastar. Às vezes, ao acordar, nos espreguiçamos juntos, desejando que o relógio nos dê uma hora a mais pra ficarmos ali abraçados e imóveis... Outras vezes, assim que abro os olhos, você já está de pé e diz com naturalidade "Bom dia anjo, tem toddynho na geladeira", e eu sorrio de maneira infantil enquanto te admiro.
Nos domingos, nos arrastamos pelo carpete da sala como se tivéssemos esquecido como ficar de pé; Criticamos os filmes, você resmunga por ter que assistir suspense, eu te belisco por contar o final da história. Nos beijamos, nos abraçamos, e vez ou outra travo uma luta que já sei que vou perder só pra te ver segurar com força os meus braços e rir alto da minha insistência. E tudo isso me faz sentir extremamente leve.
Eu sei que nada disso faz muito sentido porque vivo dizendo que não temos nada em comum, desmontando em insatisfações cada pedaço dessa nossa história, mas entenda que meu amor é assim: desarrumado. Ilógico. Inseguro.
Eu me apaixonei por você desde a primeira vez que te vi, e duvidei que pudesse existir um clichê tão patético na minha vida. Naquela noite dormi encantada pelos seus olhos, pelos seus gestos, pelo seu português embaraçado de portugal, mas não quis admitir isso, nem pra mim mesma. E naquele mês que se seguia eu tentei fugir disso de todas as maneiras que consegui. Mas não deu pra fingir que não 'tava acontecendo nada e que eu não queria você em todas as minhas festas malucas. Porque eu queria, anjo. Eu queria mais que tudo. E o que me trouxe até aqui é que você queria também. E agora, todo esse clichê é pra você. Os atritos existem, é verdade, mas dia a dia estamos aprendendo juntos a contorná-los, e é por isso que eu não tenho mais vergonha de ser pateticamente romântica. Porque estamos juntos. Juntos até pra sermos ridículos. Até pra sermos grudentos. Juntos pra valer.
Nós não temos medidas, passamos dias dormindo e acordando do lado um do outro sem vontade de nos afastar. Às vezes, ao acordar, nos espreguiçamos juntos, desejando que o relógio nos dê uma hora a mais pra ficarmos ali abraçados e imóveis... Outras vezes, assim que abro os olhos, você já está de pé e diz com naturalidade "Bom dia anjo, tem toddynho na geladeira", e eu sorrio de maneira infantil enquanto te admiro.
Nos domingos, nos arrastamos pelo carpete da sala como se tivéssemos esquecido como ficar de pé; Criticamos os filmes, você resmunga por ter que assistir suspense, eu te belisco por contar o final da história. Nos beijamos, nos abraçamos, e vez ou outra travo uma luta que já sei que vou perder só pra te ver segurar com força os meus braços e rir alto da minha insistência. E tudo isso me faz sentir extremamente leve.Eu sei que nada disso faz muito sentido porque vivo dizendo que não temos nada em comum, desmontando em insatisfações cada pedaço dessa nossa história, mas entenda que meu amor é assim: desarrumado. Ilógico. Inseguro.
Eu me apaixonei por você desde a primeira vez que te vi, e duvidei que pudesse existir um clichê tão patético na minha vida. Naquela noite dormi encantada pelos seus olhos, pelos seus gestos, pelo seu português embaraçado de portugal, mas não quis admitir isso, nem pra mim mesma. E naquele mês que se seguia eu tentei fugir disso de todas as maneiras que consegui. Mas não deu pra fingir que não 'tava acontecendo nada e que eu não queria você em todas as minhas festas malucas. Porque eu queria, anjo. Eu queria mais que tudo. E o que me trouxe até aqui é que você queria também. E agora, todo esse clichê é pra você. Os atritos existem, é verdade, mas dia a dia estamos aprendendo juntos a contorná-los, e é por isso que eu não tenho mais vergonha de ser pateticamente romântica. Porque estamos juntos. Juntos até pra sermos ridículos. Até pra sermos grudentos. Juntos pra valer.
19 janeiro, 2016
Meu índio quase incógnita
É estranho falar sobre uma ligação tão frágil e ao mesmo tempo tão inquebrável. Apesar da linha tênue entre nós, existe um lugar dentro de mim reservado pra sua lembrança, acredite. Às vezes esqueço que ele está aqui, - mas sempre está -, e por mais que uma outra história tente me preencher por inteira, aquele pedacinho grita seu nome.
Um incógnita. Uns 600km e muitas dúvidas de distância.
Já fazem anos, dá pra acreditar? Sete anos. Éramos crianças e havia pouco da vida pra saber, o mundo era ainda muito grande além do nosso quintal e nós amadurecemos assim: longe um do outro. E agora você completa mais um ano de vida sem que eu tenha tido a chance de te dar um abraço de parabéns. Foram tantos abraços silenciosos e platônicos que já nem sei se saberia realmente te tocar.
Então eu te ofereço o que tenho de mais sincero e mais abrangente: minhas palavras.
Te desejo muitas alegrias, tudo de melhor que a vida possa te trazer. Que o seu dia-a-dia possa ser repleto de pequenas coisas tão grandes: gestos, presentes, sorrisos, palavras, esperança, euforia...
E que em você possa existir sempre um espacinho rodeado de coisas boas, onde eu possa morar e te lembrar em pensamento o quanto te quero bem.
Parabéns, indinho.
11 janeiro, 2016
Meu anjo...
Eu gosto das suas mãos... Fortes, calejadas, com o toque ao mesmo tempo tão firme e tão delicado. Gosto do jeito que acaricia meus braços antes de dormir, e da pressão exata que usa quando aperta com os dedos a palma da minha mão pra me tranquilizar.
Amo o castanho claro dos seus olhos: vivo, vibrante, hipnotizante. E seu olhar de ternura e desejo quando estamos a sós. Aprendi a amar cada uma das suas expressões, reconhecer cada um de seus sorrisos, corresponder cada vez que amanhece e você me olha apaixonado.
Eu gosto do seu ritmo de dança, da firmeza quando me puxa pra dançar. Do seu cheiro e do seu passo, do seu sorriso e do seu laço. Me encanto pela maneira intuitiva como descobre o final dos filmes antes que eu possa adivinhar, e pela sua mania de observar tudo ao redor e guardar as conclusões pra si até que tenha certeza sobre qualquer coisa.
Gosto da maneira como me cuida, cuidadoso como se eu pudesse me quebrar, quando eu choro e soluço feito criança. Da sua maturidade pra lidar com as minhas crises paranoicas e da sua calma pra contornar o meu ciúme; de quem você é e do jeito que me trata, às vezes cauteloso outras vezes afobado, e, mesmo quando te digo pra ser menos estúpido, eu suspiro e tenho a certeza de que meu lugar é exatamente aqui.
Amo o castanho claro dos seus olhos: vivo, vibrante, hipnotizante. E seu olhar de ternura e desejo quando estamos a sós. Aprendi a amar cada uma das suas expressões, reconhecer cada um de seus sorrisos, corresponder cada vez que amanhece e você me olha apaixonado.
Eu gosto do seu ritmo de dança, da firmeza quando me puxa pra dançar. Do seu cheiro e do seu passo, do seu sorriso e do seu laço. Me encanto pela maneira intuitiva como descobre o final dos filmes antes que eu possa adivinhar, e pela sua mania de observar tudo ao redor e guardar as conclusões pra si até que tenha certeza sobre qualquer coisa.
Gosto da maneira como me cuida, cuidadoso como se eu pudesse me quebrar, quando eu choro e soluço feito criança. Da sua maturidade pra lidar com as minhas crises paranoicas e da sua calma pra contornar o meu ciúme; de quem você é e do jeito que me trata, às vezes cauteloso outras vezes afobado, e, mesmo quando te digo pra ser menos estúpido, eu suspiro e tenho a certeza de que meu lugar é exatamente aqui.
05 janeiro, 2016
Tempo
Sei que dizem que vai passar, mas alguém, por favor, tenha a bondade de dizer quando... Os danos que você causou foram profundos demais. Preciso saber quando isso tudo vai parar de doer. Não tem mais a ver com você; quero dizer: não com você no presente. O que você é ou o que faz agora não me afeta. Tem a ver com todas essas feridas que foram abertas e não param de latejar. Já não sei mais o que fazer com os flashs que insistem em vir, diariamente, nos momentos mais banais. Momentos horríveis que me fazem sentir humilhada, derrotada. Fatos já perdidos no tempo que insistem em achar o seu sentido passam na minha mente para me destroçar.Se o tal remédio é o tempo alguém, por favor, me diga: Quanto tempo?
29 dezembro, 2015
O fim
Cafés esfriam. Sentimentos também; Pouco a pouco nossas longas conversas deram lugar a pequenas lacunas aqui e ali. Silêncio. Na volta do dia, os emotions começaram a aparecer onde não cabiam mais palavras, e a tela do celular passou a se acender cada vez menos. Vazio. Cada vez com mais frequência não sei o que falar quando estamos a sós. Cada vez com mais frequência você se mantêm calado nos nossos encontros.
Não sei em que momento eu passei a buscar, ávida, por beijos apaixonados e encontrar, decepcionada, lábios unidos em um beijo fraternal, mas quando eu me dei conta já havia um abismo entre nós.Com lágrimas nos olhos, tento te explicar o quanto tudo está fora do lugar e que não há futuro pra gente. Você me acusa de ser pessimista, e insiste em dizer que estava tudo perfeitamente bem até eu vomitar paranoias na nossa história. Quando tento
ser racional, vocifera que deixei de amar você, que nunca estive satisfeita e que não sabe porque eu ainda não fui embora. Talvez seja difícil pra você assumir que nos perdemos. Talvez eu nunca tenha realmente segurado sua mão.
Quem sabe eu mesma não saiba porque ainda não fui embora.
Você sempre foi tão praticidade e eu toda romance, como pude ter acreditado que daria certo? Essa paixão agitou tudo e agora que a poeira baixou vejo todos os meus sonhos e anseios amordaçados por esse furacão.
A angústia desse fim percorre todo meu corpo. Será que estou preparada para deixar os destroços para trás?
28 dezembro, 2015
Paixão
A luz do sol entrava pela pequena janela e refletia nos seus olhos e na água, que caía sobre seu rosto e fazia brilhar sua barba castanha. Naquele momento eu soube que estava rendida pelos seus olhos cor de mel. E agora, como posso aceitar o truque cruel do destino que grita que não fomos feitos pra sermos "nós"? Eu sei que preciso ir embora, só não sei como.
Não é você. Não ainda. Não dá, não flui, não desce. Mas o que faço com a paixão que, teimosa, brotou aqui no peito? Enquanto as diferenças insistem em se revelar em caixa alta, essa pontinha de esperança me toma inteira num sobressalto. Tenho medo de que as noites fiquem longas demais sem seus braços em volta de mim, de que o pescoço fique leve demais sem nosso pingente especial, de que os dias fiquem tristes demais sem o seu alô... Já não sei se posso voltar a ser o que era antes da sua aparição.
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