Abaixo da inscrição com o nome, os números indicam 00:03. Indicam a última vez em que ele esteve disponível. Nos tempos modernos, essa é a maneira mais doente que encontrei de me sentir próxima. Aguardo os números darem lugar a palavra "online". Não mando uma mensagem. Observo como se sentisse a presença dele.
Hoje é o quarto dia. Tenho contado desesperadamente como um viciado em químicos há quantos dias estou limpa. Fazem quatro dias que não falo com ele, mas provavelmente não vai durar. Sei a carga negativa que isso me traz, mas ainda assim não consigo me controlar.


No último domingo, eu dormi no seu peito. Poucas vezes eu adormeci assim. É claro que dormimos juntos por tantas outras milhares de vezes, mas na maioria delas nos abraçávamos diferente e eu nunca fui uma pessoa de sono fácil. Mas dessa vez eu me recostei e senti seu calor, seu cheiro exalou como se fosse a última vez, e as batidas do seu coração embalaram meu sono.
Eu pensei em te enviar esse texto; em seguida tomei um daqueles calmantes específicos antes que pudesse terminar de escrever, pra ver se o amanhecer podia fazer com que a minha ficha caísse.
Você nunca compreendeu a minha mania de romantizar os momentos mais simples e os mais íntimos, nunca entendeu que poetizar histórias faz parte de mim. Eu quis terminar de escrever esse texto e esperar que você admirasse os detalhes. Mas você nao o faria, agora, com a cabeça fria, eu sei.
Você, muito prático, eu, sempre romântica.
A manhã chegou, o texto ficou sem final, assim como todas as minhas histórias; que nunca se encerram por completo.
Não se pode confiar nos olhos quando a imaginação está fora de foco.

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