Sinto você encaixar seu queixo na curva das minhas costas. De início incomoda um pouco, mas permaneço imóvel quando vejo que você adormeceu. Ali é seu melhor encaixe e não ouso interromper esse momento. Mesmo dormindo, você passa seus braços ao redor da minha cintura e suspira fundo, se aninhando. Não há nada mais reconfortante do que essa sua manifestação involuntária de afeto.


Não dá pra continuar assim

"(...)Eu sei que é difícil dizer adeus, pior ainda quando a gente não entende muito bem a razão da despedida, mas chega uma hora que precisamos admitir pra nós mesmos que não dá mais pra continuar lutando por algo que já chegou ao fim. Temos que aceitar quando chega o momento de jogar a toalha. No seu caso ele já passou. Você tá brigando sozinha há não sei quanto tempo e tudo em que isso pode resultar é em mais desgaste emocional. Ele não vai voltar. Ele nunca mais vai tocar a sua campainha e pedir pra entrar só uns minutinhos. Não importa quantas vezes você poste a música de vocês ou quantas mensagens cê envie bêbada. Ele não se importa mais.(...)"

Migalhas

Eu perdi as forças e cruzei a linha do perigo. Abri uma brecha enorme e aguardei você entrar por ela. Uma parte de mim acredita nas suas palavras, a outra dá o sinal de alerta. É como se você quisesse apenas reafirmar seu ego, me atingindo com frases confusas e vazias para atiçar a minha imaginação e depois me rejeitando. Como se seu prazer fosse me observar rastejando, implorando, definhando. Mas ainda sabendo disso, fui eu mesma quem abri espaço, não é?
Ávida por suas ilusões, acredito quando diz que olhava pro meu contato todos os dias na espera do desbloqueio, sorvo cada palavra desesperadamente quando fala ter procurado vestígios no meu blog. Permaneço buscando sinais, descodificando status, acatando esperanças.
Mas preciso encarar a verdade: Em todo esse tempo, você nunca me procurou. Nenhuma ligação, nenhuma recaída, nenhuma palavra consistente. Por mais que meu egocentrismo queira acreditar que fiz falta por todo esse tempo, não posso ignorar a realidade, que vem em potes transparentes depositados no meio dos meus delírios ou em palavras claras e precisas de pessoas que me querem bem. "Sinto muito, Sol, mas ele realmente não se importa com você."
Que ninguém se atreva a dizer que passo por tudo isso porque "eu quero". O que eu realmente quis foi esquecer você. Mas quanto mais o tempo passa mais parece distante essa possibilidade e então eu preciso de alguma coisa além da verdade. Qualquer coisa. Me alimento de suas palavras esporádicas de saudade enquanto você se alimenta do meu amor doentio. Eu simplesmente não consigo ficar realmente longe de você. 
Vou desejando sempre mais e aceitando menos.
Esse amor febril me fez refém dessas migalhas.

O mundo é um moinho

"(...)Ouça-me bem, amor, preste atenção, o mundo é um moinho...
Vai triturar teus sonhos, tão mesquinhos.
Vai reduzir as ilusões a pó.
Preste atenção, querida, de cada amor tu herdarás só o cinismo...
Quando notares estás à beira do abismo;
Abismo que cavaste com os teus pés"
(Cartola)

Whatsapp

Ainda fico com as extremidades geladas segundos antes de apertar o botão "enviar", e as minhas mãos ainda tremem quando vejo a inscrição verde que diz "escrevendo".
Suas fotos, as fofocas, suas redes sociais, nada diz tanto. Nada parece tão real e surreal ao mesmo tempo quanto suas palavras escritas com pressa pelo celular. Talvez seja a maneira com que essa presença pareça mais vívida na minha memória, ou não. Uma ponte insubstancial.
Sua voz parece irreconhecível ao telefone. Suas imagens parecem artificiais, distantes. Mas as palavras... Inconfundíveis. Instantâneas. Moldáveis à minha imaginação. Projeto o som da voz, a expressão facial, tudo exatamente como anos atrás. Não a pessoa que você se tornou agora, mas a que era no nosso passado. Sinto uma ardência ansiosa atrás das orelhas ao pensar em você do outro lado da tela como o cara que me conquistou, não como o que tanto me magoou.
Já não sei mais como é sua presença física, já faz tanto tempo... Fico zonza ao tentar prever. Feito adolescente, o estômago embrulha, revira, enjoa. Tipicamente engulo ódio e vomito amor. Engulo amor e vomito ódio. Repenso, duvido, me questiono. Lamento desejar tanto, mas desejo.
Não sei dizer se tudo isso vem apenas em função de um sentimento mal resolvido, ou se é mesmo tão forte quanto às vezes acredito, mas parece não ter final. Te quero na mesma intensidade com que quero me livrar desse sentimento, e isso é maluco, eu sei!
Mas não consigo desgrudar os olhos da tela, tampouco o pensamento das suas palavras.

Não se pode confiar nos olhos quando a imaginação está fora de foco.

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