...Queria tanto te dar um abraço de feliz ano novo, e dizer que desejo que nesse ano tudo possa ser cada vez mais abençoado... Sua vida, sua família, sua estrada. Te falar que desejo que você seja muito feliz nesse 2014 que se inicia;
Mas tudo que eu posso fazer é desejar em silêncio todas as coisas boas que espero pra você, do fundo do meu coração, e esperar que você sinta

Miss u, gatinho. Volta logo? :/
Queria tanto poder te dizer o quanto sinto saudades de você.

(POST)

Amanheceu, era o último dia do ano. E eu vi aquele cara partir com a cara amassada me desejando um bom réveillon. Um beijo na testa e fiquei parada escutando seus passos pela escada. Eu e ele, bem, a gente fingia ser um do outro de vez em quando, mas eu sabia que era apenas mais um corpo que sempre ia embora antes do 'te amo', sempre na hora oportuna. Era o último dia do ano e eu também sabia que não tinha ninguém. Sabe, eu bem quis que ele quisesse passar o Réveillon comigo, que me convidasse, e a gente poderia rir um pouco, beber algumas doses de vodka e dizer que gostávamos um do outro. A gente poderia se divertir e se beijar quando a contagem regressiva acabasse. Eu poderia olhar pra ele e acreditar que estava apaixonada. Estar do lado dele me faz esquecer um pouco que ele nunca está realmente do meu lado. Eu poderia roubar os amigos dele e rir com eles como se fossem meus. Eu poderia esquecer de todos os outros 364 dias de angústia que viriam pela frente, ao menos por um momento. Ao menos no primeiro dia.
Mas ele se foi sem mais palavras, e minha solidão sussurrou em meu ouvido como ia ser duro começar mais um ano me sentindo assim. Os passos na escada silenciaram, ele já havia partido. Eu quis chorar, mas em vez disso, eu ri. E o riso foi virando soluço e virou um gemido estranho. Eu quis chorar, mas então gritei. Gritei porque não cabia mais esse tamanho de dor aqui dentro e era muito difícil conviver com ela. Porque não sabia mais o que fazer e eu tinha que fazer alguma coisa. 
Gritei porque era o último dia do ano e eu sabia que não faria diferença nenhuma.

Eu não queria que ele se afastasse. Nem por um segundo, nem sequer pra almoçar. Queria que ele permanecesse falando comigo sobre qualquer bobagem, ou simplesmente mandando emoticons pelo whatsapp pra que eu sentisse que ele estava ali. Não queria que ele me deixasse só nem por um minuto. Queria que ele pudesse passar o dia todo comigo, jogando videogame, vendo TV, ou caminhando pela rua sem rumo. Não porque fosse amor, nem porque fosse uma paixão devastadora. Não era. Mas porque o que me corroía por dentro era muito dolorido e eu precisava me preencher. Porque ele fazia eu me sentir menos sozinha, as vezes. Eu queria, desesperadamente, uma maneira de fugir de mim em tempo integral, mas de qualquer maneira, eu não conseguia. Eu me agarrava a quem me oferecesse atenção, a quem pudesse me dar qualquer sensação boa, qualquer uma. Eu assustava as pessoas. Eu o sufocava e sufocava todos à minha volta.
Perambulei pela estrada a procura de algo que pudesse me satisfazer. Eu beijei a boca dele e algumas outras e fingi pra mim mesma que amava cada uma delas. Mas falta sempre alguma coisa. Eu quis me apoiar em alguém porque nunca soube me apoiar em mim mesma. E quem é que pode amar alguém que não se ama?
Eu só queria me bastar. Mas eu sempre preciso de alguém e ninguém nunca precisa de mim.





- Porque falo com você todos os dias. E quando não falo, é porque tô querendo mostrar que sou durão.




"Me acostumei tanto a pensar em você, que quando não penso parece que esqueci alguma coisa em casa.Tem gente que me irrita fácil. Tem gente que me faz bem fácil. E tem você, que faz os dois.
Desculpa se te liguei, é que esqueci de fingir que não estou nem aí...Das coisas que gosto você é a que menos gosto de gostar. (...) Tem abraço bom, tem abraço ruim, e tem o seu."


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Sentei no meio-fio e, com os olhos fechados, deixei que as gotas caíssem violentamente no meu rosto. Pessoas dentro dos carros me olhando torto, 'uma maluca sentada na beira da estrada debaixo da chuva'. Mas nunca é só uma chuva. É o banho da almaEnquanto a água escorria pelo queixo e pela ponta dos cabelos, todas as emoções se mantinham a flor da pele. Todas as dores, as mágoas, as lembranças, as saudades; tudo se misturando à água fria que inundava a roupa, o corpo, a mente.  A chuva derramava toda sua fúria, e eu a recebia como um anestésico para todas as minhas angústias, simplesmente uma sensação indescritível. 

Foi difícil me ver quebrando todas as promessas e te pedindo pra ficar; Eu sabia que não devia e mesmo assim vi se repetir a cena. A mesma que me destruiu por todos esses anos. Eu não sabia porquê, mas queria que você permanecesse; Um desejo tão infundado, vazio de amor, vazio de paixão, mas eu não queria te deixar ir. Queria ver você me querer; mas atenção, carinho, vontade, desejo, amor, nada disso se implora. Já estou cansada de saber e ainda assim te pedi pra permanecer. Eu simplesmente não quero mais essa sensação, estou cansada de assistir esse mesmo filme.
É difícil não saber o que sinto e ainda assim me sentir tão dependente. Me humilhar tanto em nome de nada, em nome de uma carência doentia que ainda nem descobri o nome. Eu poderia ser melhor que isso!
Se eu tivesse certeza, eu lutaria. Se eu te amasse, talvez valeria. Mas não, não preciso das suas mentiras diárias e das suas desculpas esfarrapadas. Não preciso das suas acusações nem de ouvir você descrever o tempo todo como eu não valho nada. Eu sei que não preciso do seu carinho forçado e das suas canções infalíveis. Não preciso da sua presença limitada, nem ouvir você dizer que gosta de mim e me deixar sozinha nas noites de sexta feira. Não preciso dos seus braços me empurrando pra longe e da sua boca me rejeitando. Não preciso dos seus elogios falsos e das suas migalhas. Eu não preciso disso que você tem pra me oferecer. 
Não tenho certeza de nada, mas sinto que é a hora de deixar mais essa história pra trás. Preciso parar de querer voltar no tempo, e aprender a deixar pra trás tudo o que foi lindo e aceitar que os momentos que não se repetem mais. Tive coisas boas pra lembrar, mas o tempo venceu. E eu soube disso no momento em que seu olhar me doeu. 
Eu acredito na minha força, eu ainda acredito que sou capaz. Eu não vou viver duas vezes a mesma história. Eu quero algo novo, quero algo forte. Quero algo que me faça mudar e alguém que me faça vibrar. Alguém que fique por que quer ficar. E que me desperte uma sensação que eu queira cativar.


Tá se achando, é? Aproveita. Que um dia eu te esqueço na gaveta.
(♫)


Havia uma chuva fina, quase brisa. De longe até parecia que nevava. Da varanda contemplava os telhados e sentia um friozinho leve. Mas frio mesmo fazia por dentro do coração. E a ansiedade já conhecida ia adormecendo as extremidades do corpo, enquanto isso, o vento mudava de lado e a chuva começava a tocar seu rosto. Era novamente aquele momento de sentir tudo mudar; pra pior.

E tocou aquela canção... Aquela que não fala de amor, mas que tantas vezes nos fez rir juntos. Aquela que você me ensinou a gostar e que marcou tanto a nossa história. E eu tive tanta saudade... Saudade das suas ligações de madrugada e do seu riso debochado, e de como você sempre me deixava boba. Quando ouvi aquela canção eu me lembrei das brigas e das reconciliações, dos seus sumiços repentinos, das suas mensagens inesperadas, das vezes em que sonhei com você. Me lembrei das noites que viramos em claro contando bobagens e fazendo promessas. Me lembrei de tudo como um filme e tive tanta vontade de ouvir sua voz... Nem sei se ainda consigo lembrar como ela é. Me peguei pensando com que frequência você se lembra de mim. Se é que se lembra. Me peguei tentando montar cada detalhe pra saber em que momento tudo se perdeu. Eu prometi tanto pra mim mesma que mataria qualquer esperança que pudesse restar, que nunca mais sonharia com esse encontro, mas as vezes ainda me pego fazendo planos. E ainda tento remontar as peças pra tentar fazer tudo se encaixar dessa vez. A canção acabou, e a saudade continuou pulsando aqui dentro. 

Miss u, Indinho. E hoje tive vontade de contar isso pra você :/

(POST)

Escuta aqui coração, mas escuta bem! Mais leveza e menos cobranças, por favor. Mais carinho e menos raiva. Mais lembranças boas e menos expectativas idiotas.
Essa paz é tão boa, porque não pode deixar ela durar? Mantenha-se assim, livre!


Mas é que eu sou assim. Nunca me contento. Sei que as coisas boas sempre acabam, mas é sempre tão difícil me despedir delas... Eu sabia que nos afastaríamos e me preparei pra esse momento, e ainda assim tentei te odiar por isso. Que se dane se o que vivi foi uma mentira, foi a mentira mais bonita que já vivi. Se fosse verdade não seria diferente, eu te veria partir, eu não posso te odiar por ter me feito sorrir.
Mas eu sou assim, sempre fico resmungando e procurando culpar alguém. Mas, ora, menino, a culpa é do tempo. E contra o tempo eu nunca vou poder lutar. Não posso tentar segurá-lo nas minhas mãos. De qualquer maneira a empolgação acabaria, a paixão esfriaria, os olhos se distanciariam. Eu nunca poderia sentir eternamente aquela sensação, por mais que tentássemos prolongá-la.
Então, se quer saber, não me arrependo. Não me arrependo de nada, e a sua intenção não me importa. O suspiro que dei e as lembranças que guardei, isso sim. Isso sim é o que fica, é o que me importa, é o que hoje me fez ter certeza que tenho que seguir em frente. A intensidade do que senti virou essa paz maravilhosa dentro de mim. Virou esse compasso lento e esse sorriso de canto. E eu vou ter saudades, gatinho; Vou ter saudades dos momentos que a gente viveu. Saudades da sua voz e do seu sorriso.
O que eu espero agora? Só espero que você tenha saudades também, que possa dar, de vez em quando, um desses suspiros profundos quando pensar em mim.
Agora sei que estou no caminho certo. Sei que é desses momentos que eu quero viver. É isso que eu quero buscar. Quero poder sempre ser tão intensa e no final permanecer só com a paz. E seguir em frente com o coração cheio de lembranças boas. E a minha estrada só está começando.

Mas eu não vou sofrer com isso não!
Mentira... Vou sim. Mas não na sua frente.





" Não sou boa com números. Com frases-feitas. E com morais de história. Gosto do que me tira o fôlego. Venero o improvável. Almejo o quase impossível. Meu coração é livre, mesmo amando tanto. Tenho um ritmo que me complica. Uma vontade que não passa. Uma palavra que nunca dorme. Quer um bom desafio? Experimente gostar de mim. Não sou fácil. Não coleciono inimigos. Quase nunca estou pra ninguém. Mudo de humor conforme a lua. Me irrito fácil. Me desinteresso à toa. Tenho o desassossego dentro da bolsa. E um par de asas que nunca deixo. Às vezes, quando é tarde da noite, eu viajo. E - sem saber - busco respostas que não encontro aqui. Ontem, eu perdi um sonho. E acordei chorando, logo eu que adoro sorrir... Mas não tem nada, não. Bonito mesmo é essa coisa da vida: um dia, quando menos se espera, a gente se supera. E chega mais perto de ser quem - na verdade - a gente é. "

Fernanda Mello


Histórias que a vida conta

" Abriu os olhos e a vista ainda estava ligeiramente turva. Uma vida inteira de medos e regras, e em uma noite, de repente, tudo já não era igual. Havia um homem do seu lado, e roupas jogadas pelo chão. Um cheiro insuportável de álcool pela casa. Alguns flashs de memória, e só se lembrava que no intervalo em que piscou os olhos o dia amanheceu.
Se levantou e se foi, sem ter certeza ainda se sabia chegar. Ele não disse nenhuma palavra, ao menos nenhuma que significasse alguma coisa. Abriu a porta sem pedir sequer o telefone dela; ela pensou em confirmar como ele se chamava antes de sair, mas atravessou a porta em silêncio e deu um sorriso vazio para se despedir. 
Caminhou lentamente enquanto tentava juntar as peças. A música alta soando na cabeça, um zumbido agudo. Com olhos de ressaca, chorou. Era apenas uma noite, poderia ser ignorada. Tratada como um erro, uma aventura, ou o que quer que ela quisesse chamar. Mas ela sabia que nada mais era igual. Sabia que aquela noite marcava um início, uma divisa. Porque não significar nada pra alguém significava muito pra ela.
Fechou os olhos e os pensamentos ainda estavam ligeiramente embaralhados. Uma vida inteira se apoiando e agora, a quem iria recorrer? 
Uma vida inteira de medos e regras e agora ela não sabia o que fazer com a maldita liberdade. "










De certa forma, apesar dos meus medos e angústias e de todo o tormento que ronda minha vida, eu me sinto liberta. Estar com você era matar diariamente todas as possibilidades. E eu gosto das possibilidades! Por mais que elas me assustem, o vazio de estar ao seu lado me assustava mais. Porque o vazio me matava e me limitava. Me destruía e me prendia. O vazio me fazia infeliz e não me dava chance pra fugir, dizia sempre em meu ouvido que ia ser pra sempre assim. Mas as possibilidades, ah, as possibilidades magoam, assustam, enganam, mudam, mas continuam abrindo portas e me fazendo seguir em frente. Sempre me dão um motivo pra continuar. Me sinto insegura. Mas antes a insegurança da incerteza do que a certeza de ser pra sempre infeliz.


E o espaço de tempo foi realmente curto. Foi extremamente curto, o mais curto que já vi, aliás. No momento que pensei gostar de você, você já estava me virando as costas. Eu sabia que você iria, sabia que ia ver nos seus olhos o que vi hoje, só não achei que fosse tão rápido. E que eu fosse me importar tanto. Talvez seja apenas uma reação por ter notado que eu estava me envolvendo, ou talvez tenha se cansado de mim.
Ou já teve o que queria. Eu avisei, eu avisei que se fosse só isso era melhor que ficasse comigo e fosse logo embora. Era melhor, era mais prático. Mas você queria me garantir. Você esperou o momento exato pra me olhar desse jeito. Se tivesse sido antes não teria doído tanto.
Eu sou tão ingênua. Como é que eu consegui acreditar em você? Porque mesmo sabendo o roteiro dessa história, no fundo eu acreditei que podia ser diferente, eu confiei em você. Eu decidi me deixar levar. Se fosse apenas alguns dias atrás eu teria me poupado dessa sensação. Só queria que você tivesse ido antes e eu não tivesse sentido isso mais uma vez, só queria não ter me importado com a frieza do seu olhar e com sua pressa em se afastar, só queria não ter me importado em ver você me evitar. Mas você esperou que eu me empolgasse, pra ir embora com classe, com mais uma conquista, mais uma história pra coleção. Só pra poder voltar quando quiser. Só pra garantir mais um passe livre. Só pra garantir mais um número na agenda pra ligar bêbado quando a noite acabar e não houver mais ninguém.
Definitivamente preciso parar de acreditar em olhares, e aceitar que as pessoas mentem com os olhos também. Sempre achei que os olhos revelassem tudo.
Tava na cara, qualquer um enxergaria que aquela canção que você cantou pra mim costuma usar pra arrebatar todas. E eu me encantei. Tava na cara que as ligações também eram um costume seu, e eu caí. Tava mais que na cara que as mensagens não eram endereçadas só pra mim. E eu sorri. Eu me encantei pelas coisas que você fazia mesmo sabendo que fazia com todas. Sabia que não durariam, mas me deixei enfeitiçar. Eu acreditei que você tivesse se envolvido também; Como consigo ser tão burra?
Apenas mais uma pra sua coleção, e você, "apenas mais um anexo pro meu arquivo de decepções". Mas olha, também sei virar as costas para uma decepção.
Só queria não ter precisado me sentir desse jeito novamente; Tudo que eu queria era ter ficado apenas com as lembranças boas.


Como é que você consegue? Era muito fácil que você me odiasse, me desejasse mal, sentisse diversas coisas diferentes em relação a mim. Mas essa indiferença, meu Deus, como é que você consegue? A indiferença me dói tanto, e a sua, eu sempre soube que não suportaria... Como é que você consegue passar anos se relacionando com uma pessoa, conversando e se participando TODOS OS DIAS, e assim, de um dia pro outro, simplesmente não se importar mais? Simplesmente não restar nem sequer curiosidade?
Meu Deus, eu sempre soube que seria pesado demais, acho que por isso adiei tanto esse momento. Mas eu não achei que fosse ser tão cruel. Que você tivesse gostado tão pouco de mim esses anos todos.
A sua voz, o seu tom, seus olhos, eu já tinha suportado a frieza; mas essa indiferença eu não vou suportar :/

É tão fácil saber quem você é quando você está longe. É tão fácil não acreditar em você.
Mas frente a frente contigo, eu me perco completamente. Você mente muito bem com os olhos.





E daí? E daí se não era pra ser, se nunca mais vou te ver? As lembranças que eu tenho são eternas, e me dão a certeza de que tudo valeu muito a pena.
Vou sempre lembrar daquela noite em que a gente viu o sol nascer sentados na beira da estrada, comendo pão de queijo e rindo da vida como se nada mais importasse. Vou lembrar daqueles abraços apertados e do seu sorriso de lado me dizendo que gostava de mim mas tinha medo. Vou lembrar de como eu derreti quando você cantou aquela música e olhou nos meus olhos. De como tudo foi intenso e da maneira que parecia que a gente se conhecia há séculos, quando tinha apenas uma semana.
Quero sempre lembrar daquela noite linda em que tudo o que eu queria fazer era olhar pra você enquanto a música tocava. Quero lembrar da sensação, aquela que eu tinha medo de nunca mais conseguir sentir. Aquela de frio na barriga, de encantamento, que faz suspirar. E que eu senti quando te abracei.
E daí se eu me joguei, se perdi o juízo, se confiei em você? Fiz tudo que meu coração mandou que eu fizesse, e por quanto tempo tinha que durar, eu fui feliz. E daí se acabar de repente, se você simplesmente se afastar de mim? Os momentos que a gente viveu foram reais. O bem que você me fez foi real. E é disso que eu quero lembrar.
Quero lembrar das suas mensagens que tanto me fizeram rir sozinha, e daquela sua vontade de me ver o tempo todo. Porque isso não dava pra você fingir, eu vi, eu senti, eu vivi.
Quero lembrar dos beijos na escada, dos risos na madrugada, das ligações inesperadas. Dos seus olhos castanhos me desejando e da maneira que você me segurou. Do seu riso alto me mandando sair de perto de você e em seguida me puxando pra não me deixar ir.
De como a gente debochou tanto um do outro e riu das próprias besteiras.
E daí, e daí se foi tudo uma grande mentira? O meu sorriso era real.
Talvez eu esqueça o timbre da sua voz. Mas não o arrepio que eu senti quando falou no meu ouvido. Não do meu coração acelerado quando você cantou pra mim. Talvez eu esqueça a cor dos seus olhos. Mas não a maneira que me olhou. Não do brilho do seu olhar.
O que vale é o que eu senti, é o que eu vivi, e isso eu vou levar comigo pra sempre.
Quem você era de verdade? Não sei, mas e daí? Você era o cara que me fazia sempre sorrir.












Só quero que o dia termine logo. Que eu feche os olhos
e de repente tudo pareça ter sido um pesadelo.
Só quero esquecer mais esse dia ruim dentre
tantos outros e sonhar com um dia melhor.
Só quero acordar com todos os sentidos perfeitos,
sem dormência, sem queimação, sem nuvens na visão,
sem esse maldito vazio me doendo por dentro.
Só quero que o sol nasça logo,
que essa madrugada torturante acabe,
que eu possa enxergar alguma coisa além
desses fantasmas do meu medo.
Só quero paz.

Ganhei alguns dias de trégua; tive dias doces, mas eu sabia que o amargo voltaria.
Corri, corri, corri, mas sabia que os fantasmas me alcançariam em algum momento. Só quis que demorasse, quis prolongar o quanto eu pudesse. Mergulhei em tudo de mais intenso que eu consegui só pra adormecer todo o resto, mas chegou a minha hora. De volta a tormenta.
Queria ter esquecido o gosto dessa angústia.
Mas é minha sina, é minha vida, eu não tenho pra onde fugir.



Não dá pra explicar quando foi que tudo começou a se embaralhar tanto.
Meu plano era só não gostar de você. Era não gostar de ninguém. Ser independente, segura e insensível. E pra te provar isso inventei mentiras e mais mentiras, disse tantas palavras aleatórias, que nem eu mesma sabia mais em quê acreditar. Me perdi num labirinto sem saída. Não queria me sentir vulnerável, tive medo de cair nas armadilhas que tantos falam, queria arrumar uma maneira de me proteger.
Eu vivi por tanto tempo em uma bolha, tive medo do mundo. Coloquei máscaras e me escondi atrás delas. Me fiz de moderna, disse que desde o início queria apenas ficar com você, que não me apaixonaria, inventei mil amantes. Disse que queria ser mala e enganar você. Distorci histórias pra você ver uma pessoa que eu não era. Que eu não sou.
E agora tudo parece tão confuso. Não tenho mais créditos pra falar a verdade, depois de mentir tanto. Talvez eu não devesse mesmo ser sincera, mas eu queria poder ser! Queria poder gritar que eu te conheço há três semanas e já quero passar todos os dias com você. Que quando você desliga eu sinto vontade de te ligar de volta só pra ouvir um pouco mais a sua voz. Que esse sorriso torto me derrete e que seu abraço me acalenta. Queria poder contar que eu me apaixonei por você desde o primeiro dia que te olhei. Mesmo sabendo que seria a maior idiotice da minha vida, ao menos seria uma idiotice sincera.
Queria poder desfazer todas as babaquices que eu usei de escudo. Porque no fundo eu não quero mais me proteger de você. No fundo quero me jogar nessas suas mentiras, sem ligar que você seja apenas mais um mentiroso. Tantas vezes eu quis sentir isso que estou sentindo agora, tive tanto medo de nunca mais me apaixonar, porque tenho que fugir?
Não sei mais definir quando foi que eu decidi ser tão inconstante, confundir tanto as pessoas, mas sei definir o dia em que resolvi nunca mais mentir, nunca mais fugir. Se eu tiver que cair, que seja. Mas vou cair de cara limpa. Não vou desviar a minha rota e fingir ser quem eu não sou pra tentar distorcer o destino. Seja como for, ele vai chegar. Se eu tiver que quebrar a cara, eu vou quebrar. Meu plano era só não gostar de você, mas que se dane o plano. Eu só quero te olhar enquanto eu puder. E quando você partir, vai embora sabendo exatamente quem você deixou pra trás.


E tem o seu sorriso. No meio disso tudo tem esse sorriso torto em que sei que não posso confiar. Mas ainda assim, de certa forma, eu confio. Tem o seu olhar me confundindo, e a sua presença em todas as minhas lembranças dessa vida nova que tive que inventar. Tem você no meio desse furacão todo. Você, que chegou de repente, e de um dia pro outro parecia que sempre esteve ali.
E no meio disso tudo ainda tenho lidar com essa de decifrar o que estou sentindo e, ao mesmo tempo, me proteger de você.
Mas esse seu sorriso...


É, foram dias loucos. Ainda estou esperando quando é que tudo vai voltar a normalidade, embora eu nem saiba mais o que é isso, se é que alguma coisa algum dia foi normal na minha história. Alguns meses que parecem lembranças de uma vida. Será que ainda consigo me lembrar de como tudo foi um dia? Não sei mais onde estou, e pouco reconheço as pessoas que estão ao meu lado. Eu nem sequer me reconheço mais. É, foram dias bem malucos. Dias que passaram rápido, deixando lembranças embaralhadas, garrafas vazias e fotos embaçadas. Aventuras e loucuras, coisas que sempre quis viver, e passaram tão rápido que mal senti o gosto. Tudo que eu queria era não ficar sozinha com os meus fantasmas, e, é, eles me abandonaram por um tempo. Porque nesses últimos meses a sucessão de coisas que me tomaram foram me arrastando e não tive tempo pra nada a não ser ficar olhando o furacão me levar e o mundo girar. Mas foi tudo muito, muito louco. E não sei dizer o que sinto em relação a isso. Ficaram apenas histórias. Ao menos tenho algo pra contar, e isso deve ser um bom sinal. Passei a vida inteira apoiada em você, apoiada no certo, apoiada no relógio que marcava a hora de chegar em casa. E de repente saí correndo sozinha. Sem apoios, sem juízo. É, foram mesmo dias especialmente loucos.



É tanta angústia que eu já perdi um pouco o senso sobre tudo. Já não sei mais distinguir o que me faz mal do que me faz bem. Já não sei mais definir aonde começa o meu problema e qual o caminho para solucioná-lo. 
A ansiedade me queima por dentro e me sinto cada vez pior.
As crises tem se tornado a cada vez mais frequentes e os calmantes cada vez menos eficientes. As cicatrizes tem se espalhado pelo corpo, e as dores também. As injeções já não me fazem dormir, já não há nada que equilibre minha taquicardia.
É tanta angústia que já perdi a vontade de viver.

Você não sabe o porquê dos meus olhos inchados, mas sempre julga indiscriminadamente.
Diz que eu bebi demais, dormi demais ou me esbaldei demais. Critica as minhas olheiras e diz que tenho sempre cara de preguiça e nunca faço nada que tem que ser feito.
Numa coisa você tem razão: a minha cara de preguiça. Preguiça de viver. Preguiça de continuar tentando e ainda topar com idiotas como você o tempo todo se achando no direito de me julgar sem conhecer sequer um terço da minha vida.
Preguiça de passar dias seguidos chorando sem parar, sem comer e sem me levantar, e me esforçar pra ficar de pé para ter que encontrar pessoas como você, me questionando porque estou sorrindo, ou porque estou me "divertindo" depois de ter ficado tanto tempo ausente às minhas obrigações. Gente como você, que não sabe o que sinto e a luta que enfrento pra passar um dia fingindo que sou normal, e que fica me lembrando do quanto tudo está errado, e desejando me ver cada vez pior; isso sim dá muita preguiça.
Meus olhos sempre inchados provém do choro que não cessa, do coração que não dá paz, dos fantasmas que atormentam, da solidão que corrói, dos pensamentos ruins que me assombram o tempo todo. As minhas olheiras vem das madrugadas que passo em pânico sem um pingo de esperança, das vezes que acho que não vou suportar e quase quero me entregar, das dores - físicas e mentais - que me tiram o sono e adormecem todos os sonhos. Mas disso só eu sei. Do medo e do tamanho da angústia que me destrói, só eu entendo.
E aí você me vê na rua - sem saber que eu me arrastei até ali, na marra, só pra fugir de mim mesma - e com aquela cara de deboche vem dizer que a minha vida é muito boa. Vem desfilar a sua inveja da vida que você supõe que eu tenha.
Talvez você devesse ter inveja mesmo, porque enquanto você destila seu veneno e se corrói com ele, quem me vê sorrindo não compreende o tamanho da minha vitória. Por mais vazio que o sorriso seja, por menos divertida que a noite me pareça, estar de pé é a minha maior conquista.
Pra quem enxerga o fundo do poço, não é fácil continuar se agarrando à beirada, pois isso exige luta, exige uma força que, nesse ponto, já quase não se tem mais. E eu continuo me segurando, aguentando a barra. E se fosse você, aguentaria? 
Talvez você devesse ter inveja mesmo, porque apesar de todas as coisas terríveis que eu tenho vivido, eu ainda me forço a lutar, apesar de todas as pessoas mesquinhas e ridículas como você que sou obrigada a enfrentar, eu ainda não parei de caminhar.
Você se preocupa exclusivamente em reparar meus olhos inchados e desejar o meu mal. Enquanto isso eu vou caminhando e vivendo e lutando e tentando e me preocupando exclusivamente em deixar isso tudo pra trás um dia. O meu momento vai chegar. E quando eu seguir em frente e for feliz, em quem é que você vai descontar toda essa sua frustração?

E foi a primeira vez que sonhei com ele desde que ele não é mais meu.
Era tudo dolorosamente real, seu rosto, seu olhar de impaciência, a sensação de estar tudo errado, a minha ânsia em ficar do lado dele sem saber porquê. Tudo exatamente como vivi por todos esses anos.
E quando acordei, não sabia o que estava sentindo. Foi esquisito. Não sei se gostaria que tivesse sido um sonho bom, porque talvez dessa maneira eu sentisse muita saudade e tivesse ilusão de que fui feliz. Não sei se gostaria que tivesse sido um pesadelo, pois não prevejo que tipo de dor iria sentir.
Então ficou essa dor constante e morna aqui dentro. A lembrança e esse vazio. Foi apenas a primeira vez que sonhei com ele. E nem sei dizer se tive saudade.

Lágrimas por ninguém, só porque é triste o fim... (



Não gosto do seu jeito, não gosto da sua voz, não gosto do seu sorriso. Não gosto dos seus assuntos, nem da sua maneira de se vestir, e não gosto do seu beijo nem do modo que faz amor. Não gosto como se comporta com meus amigos, não gosto de como age quando estamos sozinhos. Não gosto das palavras que usa, do modo que penteia o cabelo. Não gosto do seu cheiro. Não gosto do seu gosto. Não gosto do jeito que me toca. Eu não gosto da vida que leva, não concordo com seus objetivos futuros, não gosto de nada do que você faz.
Definitivamente, não admiro nada em você.
Eu gosto do seu olhar. Só do seu olhar, e porque me deixei levar? Quis fingir que isso bastava, mas não basta! Quis projetar em você algo mais próximo dele que eu pudesse, mas, meu Deus, porque diabos eu fiz isso?
Eu tive medo da solidão, eu sei, eu tive medo de ficar comigo mesma e não suportar. Tive medo da vida solitária que vem pela frente, quis me envolver com alguém, quis me apegar em alguém, mas as coisas não são assim. Eu quis transferir toda a confiança e segurança que tive em um relacionamento passado pra uma pessoa que mal conheço. Que achei que conhecesse. A carência me cegou, e quando você me beijou a primeira vez, será que eu realmente gostei daquele beijo?
Eu não gosto de você.
Eu precisei da sua companhia, mas olha, nunca fiz nada pra te prejudicar, apenas quis me deixar levar. Mas, enfim, se tivesse feito, ainda bem que você não merecia mesmo nada melhor que isso.
Eu deixei a minha carência me dominar, e me envolvi com uma pessoa que eu normalmente detestaria. E as vezes paro e fico pensando 'Gente, qualé? A que ponto cheguei?'


Eu vi aquilo de novo nos seus olhos. É, eu não sei como, mas eu vi. Vi aquele brilho, aquele jeitinho de me olhar... Você me olhando com vontade de nunca mais parar.
Eu vi ternura, afeto, vi você estar ali por completo. Depois de tanto tempo te tendo pelas metades, eu vi você ser meu de novo.
Não sei como, mas por uma noite eu te vi ser de novo aquele menino que eu tanto tive saudades e que eu acreditava ter sumido na neblina do tempo. Quando achei que esse menino nem existisse mais, ele me esboçou aquele sorriso largo e me fez um cafuné.
As músicas rodando e você me tocando com um carinho que eu nem achava que ainda podia receber. Tipo um filme. Eu e você.
É, eu vi. Vi você parado por minutos seguidos tocando meu rosto e suspirando. Vi a gente se entendendo e rindo juntos das piadas sem graça que nós mesmos criamos. Vi você me acolher no seu colo e esquecer da hora.
E, nossa, pela primeira vez em tanto tempo, eu voltei pra casa satisfeita, leve. Depois de tantas vezes que vi você ir embora correndo sem nem mesmo olhar nos meus olhos, eu me despedi jogando um beijo e vi você sorrir com o olhar. Eu subi degrau por degrau, devagar. Eu não queria ver aquela magia acabar. Eu não queria ter que sentir outra coisa e ter que dar outro sorriso que não o sorriso bobo e sincero que eu tinha quando entrei em casa. Eu só queria que a noite nunca tivesse acabado.

"Você me fez sentir de novo o que eu já não sentia mais..." 

Falar de paixão me fez reviver tantos momentos bons... Tantas coisas marcantes, que reforçam ainda mais a minha fascinação por esse sentimento e a minha preferência por ele depois de experimentar o vazio.
Mas de todas as paixões que tive, em níveis diferentes e situações diferentes; a sua foi a mais intensa. Porque você foi intenso comigo também. Todas as vezes eu vivi sozinha todo aquele turbilhão de coisas, mas com você foi realmente mágico. Porque a gente se olhava diferente, se sentia diferente, e eu experimentei ver alguém se jogar por mim como eu sempre me jogo por quem eu me fascino. A gente se jogou junto.
E eu gosto de lembrar a maneira como o mundo sumia quando a gente se abraçava, como a gente corria na chuva sem se preocupar com nada. Como a gente sempre queria se ver, o tempo todo. E como a gente espalhava as roupas pela casa e topava com os móveis, e não conseguia parar de se beijar.
Gosto de lembrar como você me olhava enquanto eu cozinhava, e como sempre elogiava tudo que eu fazia. De como eu poderia passar horas escutando você me falar da sua vida, do seu dia, das suas piadas, de qualquer coisa. Eu poderia te escutar a vida toda. E gosto de lembrar como você me ouvia e a certeza que eu tinha que você também poderia passar dias seguidos me escutando. A gente sempre tinha sobre o que falar, e era sempre tão bom. Eu nunca via as horas passarem.
Tantas manhãs fugindo da aula pra roubar um beijo, tardes de chuva escondidos do mundo, noites rodando pela cidade... A sua respiração no meu pescoço, a sua mão na minha cintura, o seu olhar no meu olhar. Doce.
Tantas mensagens que nem a operadora suportava mais a gente se falar. Um minuto era muito, a gente precisava se comunicar.
Eu adorava tudo. Seu cabelo macio e sua blusa cheirosa. Seu biquinho de desaprovação e sua risada alta. Suas mãos macias e seus olhos redondos. Seu cabelo preto e sua pele branca. Seu beijo cheio de desejo e sua mão no meu cabelo. Seu jeitinho de menino e suas atitudes de homem. Seu cheiro, seu gosto, seu rosto.
Gosto de lembrar como te admirava e concordava com quase tudo que você dizia. De como gostava do seu jeito de pensar e de se expressar e dos seus objetivos de vida. 
Acho que me apaixonar por você foi uma das melhores sensações que já vivi até hoje. E estou em busca daquela sensação.

Sabe que no fundo eu tinha razão? A primeira impressão foi exatamente a imagem certa que eu deveria ter guardado de você. Um cara fútil que adora aparecer. E eu sei que no fundo você é mesmo tão problemático como eu, só que com uma sutil diferença: você é egoísta e oportunista. E aproveitou do meu momento de fraqueza, quando claramente viu que eu estou doente e algumas coisas não estão tão claras na minha cabeça, para se sentir superior. Aproveitou da minha fraqueza para mascarar a sua.
Veja bem, eu não gosto do seu papo e nem do seu caráter. Eu não te admiro como pessoa e não acho agradável nenhuma das suas atitudes. Eu me agarrei a oportunidade de ter alguém por perto e mascarei isso de paixão. Seus assuntos me dão tédio e seu beijo não me enlouquece, não nos encaixamos fisicamente então porque é que eu me apaixonaria por você?
A lembrança mais bonita que eu tenho da paixão é da loucura, do desespero, da pele na pele, das madrugadas adentro, do tempo curto e dos assuntos inacabáveis. Eu tenho a lembrança bonita do encantamento, de rir sozinha, de amar a voz, o jeito, os gestos, de querer sempre mais. Se não sinto nada disso não faz o mínimo sentido. A lembrança mais forte que eu tenho da paixão inclui sofrimento, saudade, querer, lágrimas, desespero, tudo de mais intenso, mesclado com sensações incríveis, coisas que eu nem acreditava que realmente existiam, coisas que a gente sente no beijo, na pele, nas noites frias, no abraço. Eu amo a intensidade da paixão, e sei bem distingui-la.
Eu apenas quis alguém por perto, poderia ter sido qualquer um. Eu apenas tive medo de ficar sozinha com os fantasmas que tem me assombrado. 
Você é exatamente o que parece ser, mais um idiota que quer aparecer e afundar qualquer um pra tentar subir. Mas você já está no fundo do poço, gatinho, independente se achou alguém pior que você, você continua caído. Ninguém pode te servir de escada se você não se apoiar em si mesmo.
E eu não tenho raiva, não tenho mágoa, não tenho nada. Tenho esse mesmo vazio de sempre que eu tentei tapar com outro vazio; e se você usou disso pra se sentir melhor, que bom pra você.
Eu não perdi a esperança, porque eu sei que a minha angústia em algum momento vai passar. Eu vou ficar bem e me libertar pra me apaixonar. Eu vou encontrar essa sensação. Porque se tem uma única coisa que eu ainda acredito na vida, é na beleza de estar apaixonada.


É meio absurdo dizer que não sinto saudades de você. Mas como eu poderia sentir saudades do que nunca me fez feliz? Saudades de beijos vazios, de mágoas profundas, daquele abismo que existia entre nós?
Eu sinto medo. Desespero pela situação. Mágoa pelo que aconteceu e tristeza por nunca ter sido como eu quis que fosse. As vezes sinto saudade de como tudo começou. Saudade do tempo em que eu acreditava que podia dar certo. As vezes tenho saudade de tardes inocentes e assuntos intermináveis, mas nem sei mais quanto tempo faz. 
É estranho pensar que a minha reação é contrária à tudo que vejo normalmente acontecer. Em momento algum eu acredito que te ter por perto solucionaria a minha angústia, pelo contrário, sei que a prolongaria. Em momento algum eu penso em voltar. Acho que não voltaria, mesmo se pudesse. 
O que eu sinto é apenas um enorme vazio. Um vazio que já conheço há meses e que me corrói. Uma sensação que nada tá certo, que nada dá certo, um turbilhão de coisas que não dá pra explicar. Mas o mais estranho de tudo é a sensação de que todas essas coisas não tem ligação direta com você. Eu sinto saudade de ter alguém, do comodismo que era confiar em você. Mas sinto mais saudades de confiar em mim mesma e acreditar nas possibilidades. Normalmente não tenho acreditado nem esperado mais nada.
É tão absurdo, mas não sinto saudades de você. E mais absurdo ainda, é que isso me desespera, e me dá cada vez mais a sensação de que não sou normal.

Acho que eu tenho imã pra gente meio maluca.


Não adianta fugir e se fazer de forte. Não adianta desviar os olhos e dizer que me esqueceu; Não adianta. Toda vez esse mesmo papo. Você foge e some e promete seguir sua vida. E eu sei que a sua vida segue, mas você continua andando em círculos. Porque todo caminho termina em uma mensagem sua no meu celular. Em um lance comigo na madrugada. Todos esses anos foi desse jeito e eu sei que você não consegue se desligar. Ah, não vem com essa de falar de liberdade quando eu sei que, de alguma maneira, você está preso a mim. Sempre foi assim.
Que se dane esse papinho de amor, porque você nunca o teve, nem eu. Não fomos feitos pra ficarmos juntos, pra todo esse lance convencional. Fomos feitos pra ter pra sempre essa história casual.
Não fomos feitos pra nos amarrar, mas eu sei que você vai voltar, não importa quantas vezes você vá. 


E no final das contas eu já não sabia qual de nós dois mentia mais... A gente se usou, se enganou, se perdeu... Mas no fundo a gente se envolveu. Não os corações; envolvemos nossas necessidades e solidões. Nossas carências e loucuras. Envolvemos um pouco de do vazio das nossas vidas pra tentar tapar tudo aquilo que nos falta.
Nunca pensei que você pudesse me confundir, mas olha, você confundiu. Achei que era fácil apenas controlar você, como foi com todos os outros ao longo da minha vida, mas não foi bem assim. Quis te decifrar e me perdi. Me perdi no meu objetivo, me perdi em mim e tive que reprogramar os meus passos. Me perdi tanto, que quase achei que tudo poderia seguir um caminho diferente. Fiquei empolgada e achei que enfim poderia gostar de um outro alguém. Mas a gente continua mentindo tanto um pro outro que nem nós mesmos sabemos mais a verdade. Eu falei de sentimento, eu quis sentimento. Mas acho que não sou mais capaz de sentir o que estou buscando. Acho que não sei mais me apaixonar por alguém. E no final das contas eu não sei o que a gente quer, apenas continuamos nos perdendo no meio das nossas mentiras.


Quem sabe ele seja um mentiroso. Ele é mesmo um pouco confuso e faz tudo do jeito não convencional. Ele pode ser um galinha e não ter absolutamente nada a ver comigo. Mas foi ele quem me resgatou.
Sim, me resgatou; em lugares diferentes, de maneiras diferentes, diversas vezes diferentes. Me resgatou bêbada, me resgatou sã, aturou meu choro, aceitou meu beijo. Foi ele quem me procurou pela cidade quando ninguém mais se interessou em saber onde eu estava. Foi ele quem me deu atenção, carinho e encheu de presença meus dias já tão lotados de ausência. Ele quem esperou que eu adormecesse e cuidou em desligar as tomadas e sair em silêncio.
Ele pode ter sido tudo, mas não foi um qualquer. E por mais que eu tente me manter com um pé atrás, eu acabo sempre tropeçando e caindo nos braços dele. Porque ele sempre está ali pra me segurar. Por mais que eu tente fugir, eu acabo sempre olhando a foto dele antes de dormir e rindo sozinha das nossas brigas sem motivo.
Por mais que eu possa estar entrando numa enrascada, numa rua sem saída, é nas lembranças boas que eu me baseio, e não nos boatos ruins. É no brilho do olho, no doce do beijo, do calor do corpo. Nas palavras carinhosas, nas atitudes atenciosas, nas longas conversas. É nisso que quero me basear;
Quem sabe não dure, quem sabe não valha, não importa. Foi ele quem preencheu um pouco do vazio que eu carregava, e cativou com calma um carinho que eu achei que nem podia mais sentir.
Quem sabe ele seja mesmo um mentiroso. Mas é um mentiroso tão convincente, que eu já quase quero acreditar. 

Aconteceu tanta coisa em tão pouco tempo, que tive medo de não saber mais quem eu era. Perdi um pouco a direção, mas eu segui em frente, mesmo estilhaçada, mesmo perdida, eu fui andando e o caminho foi me achando, assim, meio na marra.
Aconteceu tanta coisa em tão pouco tempo que hoje fecho os olhos e parece tudo um sonho; ou histórias de uma vida inteira. Mas foi tão repentino que me empurrou pra frente de uma maneira absurda. E agora eu confesso que me sinto bem melhor. 
Todas as angústias de sempre ainda estão aqui, é claro, mas o turbilhão de coisas que tem acontecido me tomou um pouco do tempo e do choro esganiçado, do desespero incontrolável. Me aliviou um pouco e me libertou; sei que não é permanente, mas ao menos hoje posso respirar.
Eu me embaralhei um pouco, mas estou me redescobrindo, remontando todas as peças, e, de alguma maneira, a minha essência, quem eu sou de verdade, continua aqui.
Sei que ainda vou tropeçar várias vezes, mas ao menos continuo caminhando. E eu nunca mais quero parar.

Acho que a gente confundiu tanto as coisas, gatinho, desde o início... É claro que eu sempre te amei. Mas hoje compreendo que a gente quis colocar desejo onde só tinha carinho... A gente distorceu tanto esse amor bonito e acabou destruindo ele... Evitamos de nos aproximar porque tínhamos medo desse sentimento que não entendíamos.
Eu nunca quis excluir ninguém, apenas quis fazer parte da sua vida. Mas nos deixamos pensar que pra viver o que sentíamos precisávamos de exclusividade, de paixão, e nos esquecemos o quanto poderíamos ter sido amigos. Nos cobramos tanto e olha só, nos perdemos. 
Hoje eu vi a foto da sua princesinha... E foi então que eu tive certeza que meu amor não é egoísta, não é exatamente o tipo de amor que a gente quis que fosse. Desejo de todo coração que você seja feliz. É claro que gostaria de fazer parte da sua vida, mas eu entrei do jeito errado e nada vai mudar isso. Então tudo que posso fazer é desejar que tudo dê certo pra você; porque você cresceu, gatinho, você se tornou um homem digno, um marido dedicado, um pai amoroso. Eu sempre soube que seria assim, sempre te admirei e agora não é diferente. Confesso que tive um pouco de inveja da vida que você tem agora. Também queria que as coisas pudessem ter dado certo pra mim também. Confesso que queria que tivesse sido diferente, menos complicado, e quem sabe eu faria parte agora dessa felicidade toda. Eu poderia ser uma grande amiga. Podia conciliar tudo que sempre sonhei.
Mas a gente confundiu tudo. É, eu tenho saudade, tenho sonhos e tenho vontade. Mas nada mais pode ser como antes, porque a gente construiu uma rua paralela à que deveríamos ter seguido, e parece que ela não tem saída, gatinho. 

(POST)
É apenas mais um buraco tentando tapar outro buraco. Apenas mais ilusões, mais mentiras, uma busca interminável por uma sensação insubstituível. A minha exigência fica buscando uma coisa que nem sei mais o que é. Uma sensação que nem sei se ainda sou capaz de sentir. Nada mais me satisfaz. E fico apenas vendo as horas passarem, me enganando no seu abraço, gastando meus beijos nos seus.


"Se os seus olhos não refletem mais o nosso amor, e a saudade me seguir pra sempre aonde eu for, fica claro que eu tentei lutar por esse sentimento..."


Não se pode confiar nos olhos quando a imaginação está fora de foco.

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