Histórias que a vida conta

" Abriu os olhos e a vista ainda estava ligeiramente turva. Uma vida inteira de medos e regras, e em uma noite, de repente, tudo já não era igual. Havia um homem do seu lado, e roupas jogadas pelo chão. Um cheiro insuportável de álcool pela casa. Alguns flashs de memória, e só se lembrava que no intervalo em que piscou os olhos o dia amanheceu.
Se levantou e se foi, sem ter certeza ainda se sabia chegar. Ele não disse nenhuma palavra, ao menos nenhuma que significasse alguma coisa. Abriu a porta sem pedir sequer o telefone dela; ela pensou em confirmar como ele se chamava antes de sair, mas atravessou a porta em silêncio e deu um sorriso vazio para se despedir. 
Caminhou lentamente enquanto tentava juntar as peças. A música alta soando na cabeça, um zumbido agudo. Com olhos de ressaca, chorou. Era apenas uma noite, poderia ser ignorada. Tratada como um erro, uma aventura, ou o que quer que ela quisesse chamar. Mas ela sabia que nada mais era igual. Sabia que aquela noite marcava um início, uma divisa. Porque não significar nada pra alguém significava muito pra ela.
Fechou os olhos e os pensamentos ainda estavam ligeiramente embaralhados. Uma vida inteira se apoiando e agora, a quem iria recorrer? 
Uma vida inteira de medos e regras e agora ela não sabia o que fazer com a maldita liberdade. "


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Não se pode confiar nos olhos quando a imaginação está fora de foco.

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