Eu não queria que ele se afastasse. Nem por um segundo, nem sequer pra almoçar. Queria que ele permanecesse falando comigo sobre qualquer bobagem, ou simplesmente mandando emoticons pelo whatsapp pra que eu sentisse que ele estava ali. Não queria que ele me deixasse só nem por um minuto. Queria que ele pudesse passar o dia todo comigo, jogando videogame, vendo TV, ou caminhando pela rua sem rumo. Não porque fosse amor, nem porque fosse uma paixão devastadora. Não era. Mas porque o que me corroía por dentro era muito dolorido e eu precisava me preencher. Porque ele fazia eu me sentir menos sozinha, as vezes. Eu queria, desesperadamente, uma maneira de fugir de mim em tempo integral, mas de qualquer maneira, eu não conseguia. Eu me agarrava a quem me oferecesse atenção, a quem pudesse me dar qualquer sensação boa, qualquer uma. Eu assustava as pessoas. Eu o sufocava e sufocava todos à minha volta.
Perambulei pela estrada a procura de algo que pudesse me satisfazer. Eu beijei a boca dele e algumas outras e fingi pra mim mesma que amava cada uma delas. Mas falta sempre alguma coisa. Eu quis me apoiar em alguém porque nunca soube me apoiar em mim mesma. E quem é que pode amar alguém que não se ama?
Eu só queria me bastar. Mas eu sempre preciso de alguém e ninguém nunca precisa de mim.

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Não se pode confiar nos olhos quando a imaginação está fora de foco.

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