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Ainda fico com as extremidades geladas segundos antes de apertar o botão "enviar", e as minhas mãos ainda tremem quando vejo a inscrição verde que diz "escrevendo".
Suas fotos, as fofocas, suas redes sociais, nada diz tanto. Nada parece tão real e surreal ao mesmo tempo quanto suas palavras escritas com pressa pelo celular. Talvez seja a maneira com que essa presença pareça mais vívida na minha memória, ou não. Uma ponte insubstancial.
Sua voz parece irreconhecível ao telefone. Suas imagens parecem artificiais, distantes. Mas as palavras... Inconfundíveis. Instantâneas. Moldáveis à minha imaginação. Projeto o som da voz, a expressão facial, tudo exatamente como anos atrás. Não a pessoa que você se tornou agora, mas a que era no nosso passado. Sinto uma ardência ansiosa atrás das orelhas ao pensar em você do outro lado da tela como o cara que me conquistou, não como o que tanto me magoou.
Já não sei mais como é sua presença física, já faz tanto tempo... Fico zonza ao tentar prever. Feito adolescente, o estômago embrulha, revira, enjoa. Tipicamente engulo ódio e vomito amor. Engulo amor e vomito ódio. Repenso, duvido, me questiono. Lamento desejar tanto, mas desejo.
Não sei dizer se tudo isso vem apenas em função de um sentimento mal resolvido, ou se é mesmo tão forte quanto às vezes acredito, mas parece não ter final. Te quero na mesma intensidade com que quero me livrar desse sentimento, e isso é maluco, eu sei!
Mas não consigo desgrudar os olhos da tela, tampouco o pensamento das suas palavras.

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Não se pode confiar nos olhos quando a imaginação está fora de foco.

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