13 setembro, 2024

Não estou conseguindo organizar as ideias, será que perdi a capacidade de me expressar? Tanto tempo esquecendo que escrever me liberta, que me conformei em estar aprisionada.

A lembrança daquele dia me corrói, me dói pensar em como aquelas palavras mudaram toda uma percepção da realidade. Não sei ainda se é uma consequência proporcional à situação, mas naquele dia algo realmente se quebrou em mim. Foi como se toda uma realidade tivesse me sido arrancada: o conforto, a intimidade, a nossa amizade, até onde tudo foi real? Ficou em cheque tudo em que me forcei a acreditar por tanto tempo. Eu quis que não fosse unilateral. Eu quis que você não pudesse simplesmente me substituir quando eu deixasse de ser útil. Quis que eu não tivesse sido a sua segunda opção. Mas e se tudo isso aconteceu debaixo dos meus olhos e eu só percebi quando as pessoas ao seu redor me expulsaram da sua vida. Você diz não ter deixado que ficassem entre a gente, mas aquilo tudo acabou com o "a gente"

Será que essa ferida vai cicatrizar? E essa cicatriz, por quanto tempo ainda irá doer?

O que vivemos foi realmente intenso? Você realmente me amou?


Eu me apego a lembranças de pessoas que não existem mais.
Será que é possível que alguém mude sua essência? 
Que seja capaz de mudar tanto a ponto de realmente deixar de ser o que se era? Que não reste mesmo nada?
Eu nunca vou saber conviver com isso, com a morte de alguém ainda em vida, com o fato de nunca mais ter acesso àquela pessoa que existiu um dia. Me dói tanto perder alguém que se foi dando lugar à um desconhecido.


"E sempre estar lá, e ver ele voltar, não era mais o mesmo mas estava em seu lugar"



Eu não estava preparada para envelhecer. Talvez ninguém nunca esteja. Não envelhecer em idade, mas sim deixar de gostar de coisas que eu costumava amar, deixar de conseguir fazer coisas com as quais eu não tinha nenhuma dificuldade. Ver as prioridades serem alteradas contra a minha vontade. Eu não estava preparada para me sentir diferente das pessoas mais jovens.