Noite vai, e então o que sobrou?
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Certo como um corte que não quer doer,
Esperei o dia todo por aquela ligação... A única que poderia deixar o dia realmente completo. A única que poderia deixar o dia feliz. Mas os minutos foram passando, se transformando em horas, e nada. A maldita mania de conferir o celular a cada cinco minutos me torturou por todas as malditas 24 horas. Ele continuava sem nenhum aviso. Sem nenhuma mensagem. Sem nenhum sinal seu. Era pra ser uma data especial e foi apenas mais um dia como todos os outros. E mesmo no dia seguinte, eu continuo esperando uma desculpa, uma palavra, ou ao menos um oi qualquer. Coisas simples e banais já haviam se tornado uma tortura. O momento de lavar os cabelos era de dor e angústia. A água escorrendo fazia o corpo dela estremecer, e o cheiro do shampoo causava enjôo. A previsão de toda dor que viria já era suficiente para que a angústia a atormentasse por todos aqueles longos minutos. Ao pentear, era desespero que ela sentia. E medo. Muito medo. Nada mais disfarçava aquelas marcas. Qual seria a desculpa de hoje? Difícil inventar.