Quando chego, os cachorros me recebem com festa. Enquanto me recepcionam com doces lambidas nos pés, do portão já avisto minha mãe com uma colher de pau na mão, e sinto o cheiro do tempeiro único que ela usa. Amor.
Enfim, casa. O cheiro das frutas sobre a mesa, os passarinhos, o sofá, a tv, as cores dos livros na estante. Pessoas. Mais que isso, pessoas que me amam. No calor do meio dia, meu irmão deitado sob o cobertor; corro e pulo sobre ele e ouço apenas um resmungo. 'Bom dia, pequenachita', sussurro em tom de implicância. 'Bom dia', ele responde num sorriso sem graça de quem teve o sono interrompido. Rolo mais uma vez sobre suas costas, então enfim arranco uma risada. Mamãe abandona as panelas e me dá um beijo caloroso, a palavra "filha" me dá um alívio inexplicável. 'Tudo bem?', ela pergunta. 'Ótima', eu penso. Sim, respondo com os olhos. Papai me mostra então uma função nova naquele smartphone da moda, e rimos juntos das fotos engraçadas que ele encontrou.
Os cachorros passam correndo pela sala, e rimos todos da molecagem que eles transmitem. Sentamos os quatro a mesa, e mais os dois animais moleques aos nossos pés. Sorrisos, fofocas, discussões.
A casa toda tem um não-sei-o-quê de paz, uma áurea de conforto e proteção que me envolve e me tira, por um momento, todas as angústias que me sobrecarregam. E descubro que não é apenas uma casa. É um lar. É o meu lar. A coisa mais minha e mais linda que eu tenho na vida. 
Me recosto no sofá, e sei que estou segura, mais do que em qualquer outro lugar do mundo.

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Não se pode confiar nos olhos quando a imaginação está fora de foco.

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