Eu não seria capaz de contar quantos livros já li durante toda a minha vida.
Comecei bem cedo, ainda criança, quando a professora os colocava em cima da mesa e mandava que escolhêssemos; eu não escolhia pelas gravuras, como as outras crianças, eu lia a primeira e a última frase até que alguma despertasse meu interesse. Assim que tive autonomia para ir à biblioteca, eu o fazia diariamente. Me lembro bem do corredor grande com pisos vermelhos que levava à biblioteca, e de como a luminosidade era boa quando me sentava no chão. Mas ninguém gostava da menina que passava os recreios sentadas no corredor com um livro no colo, então passei a escolhê-los com pressa, guardar na mochila e ir para o pátio. Então lia em casa, fissurada, completamente absorta.
Eu sempre achei que os livros são como pássaros: Você não pode simplesmente querer possuí-los pra sempre por puro egoísmo. Eu gostava de imaginar quantas mãos já os tinham tocado, e quantas ainda iriam tocar. Me extasiava com as assinaturas na capa de pessoas que já os tinham levado pra casa.
Sempre acreditei que se entregar naquele momento era o importante, apenas.
Eu amo as histórias. Eu amo viajar, amo o jeito que minha mente se teletransporta e volta. Eu não amo o papel.
Eu amo a leitura, eu amo a escrita, todo o êxtase de colocar nas letras o sentimento do momento, o impulso. Às vezes, escrevo em pedaços avulsos de papéis e os vejo queimar. A emoção do momento é o que me importa.
Tudo isso é muito mágico para mim.

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Não se pode confiar nos olhos quando a imaginação está fora de foco.

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