16 fevereiro, 2024

A gente não existe mais. Tudo que restou é só poeira do que fomos um dia. O que te mantém apegada à mim é a mesma coisa que me mantém apegada à você: a necessidade de ter tido alguém todo esse tempo, a necessidade de provar pra si mesma que durou, que alguém ficou; mesmo sendo uma meia verdade pra encobrir que somos igualmente solitárias.

Nós não nos conhecemos mais, nossos pensamentos não se encontram, não há conforto. A presença é tão incômoda que dói. Machuca ver que nos tornamos duas estranhas. Sorrisos forçados, assuntos pela metade, o que aconteceu com as tardes de sorrisos fáceis?

Sou forçada a admitir que algumas coisas simplesmente não tem volta, que pessoas mudam e se desconhecem, e não há como rebobinar o tempo ou voltar pra quem se era.


05 fevereiro, 2024

Sabe o quê, moreno? A nossa relação é incrível. Mais do que gostar do seu beijo, do seu cheiro, do seu sexo, da sua voz: eu gosto da nossa real intimidade e das nossas vidas estarem atreladas uma à outra de maneira a quase se fundirem.

Eu gosto de ter descoberto uma relação que eu nem sabia que existia, pois é como se a cada dia aumentassem os motivos para continuar do seu lado. Eu nunca fui tão próxima assim de alguém, viver essa sensação é uma experiência incrível para mim e continua sendo a cada ano que passa, a cada coisa que construímos, a cada beijo que você me dá.

Vivemos as coisas românticas e também as coisas práticas e em todas elas nos harmonizamos; mesmo nas diferenças conseguimos nos encaixar, pois com o tempo aprendemos a conhecer um ao outro e a lidar do melhor jeito com os atritos do dia a dia.

Quando estou longe de você eu consigo ver com ainda mais clareza o quanto nós somos bons juntos e o quanto a confiança paira entre nós, uma confiança construída dia a dia, mês a mês, sólida e saudável.

Te encontrar - há 6 anos atrás - foi uma novidade maravilhosa e recheada de sonhos que eu nunca tinha tido antes. Tão repentinamente eu fui sonhando mais e mais coisas, todas elas do seu lado. Eu amo tanto te ver todos os dias ao acordar, amo tomar banho juntos enquanto fofocamos de coisas aleatórias, amo saber que meu lar é o mesmo que o seu. Eu amo te chamar de meu marido.

A nossa relação é boa, moreno, é boa demais.



16 dezembro, 2023

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Até onde estou exagerando e sentindo tudo 10x mais do que a realidade, e até onde estou realmente sendo ignorada e feita de trouxa? É difícil saber o limite quando se sente muito, se sente tudo. Eu sou muito sensível à todas as interações. 

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07 julho, 2023

Dizem por aí que o amor acelera o coração. Bom, há controvérsias. Quando estou do seu lado meu coração desacelera, seu abraço cura toda a taquicardia que a ansiedade do dia a dia me traz.
Quando nossas respirações estão sincronizadas é que eu sei que o amor é paz, é calmaria, é conforto
, é intimidade. O amor é um lugar seguro. Seu cheiro faz com que minha mente -tão barulhenta- finalmente silencie todos os medos e angústias. Eu amo você, moreno. Obrigada por compartilhar a vida comigo.


26 maio, 2023

    Quando fico ansiosa eu provo roupas. Roupas que comprei sem ter como pagar e que provavelmente nunca vou usar. Visto casacos, testo combinações, alterno sapatos. Penso em lugares, em pessoas, em impressões pra causar. Organizo todas as araras por cor. E a cor por modelos. E os modelos por tamanhos. Desfilo pelo espelho com roupas caras, marcas conhecidas, calçados de couro. Eu realmente não sei qual é exatamente o motivo desse vazio que tento preencher mas sei que é um vazio enorme, um buraco negro que suga todas as minhas forças e todas as minhas tentativas fúteis de tentar esquecer que ele existe. Caminho pela minha casa de apenas 40m² com meus looks que, todos somados, talvez mobiliassem a casa toda, e quando penso nisso me dá um desespero profundo que aumenta minha ansiedade e me causa náuseas. As pessoas provavelmente me acham fútil, todas elas, e as minhas atitudes são mesmo. Porém não é pelo prazer da futilidade por que, pelo contrário, eu me sinto péssima, culpada e frustrada.

20 março, 2023

Bom, vamos começar do começo. E nele, quando eu tentar falar, você vai me chamar de dramática, exagerada, louca, pois é assim que as mulheres são taxadas quando tentam se posicionar nas mínimas coisas. Mas questão é: depois que se parte para uma jornada de auto conhecimento, principalmente com ajuda de uma profissional, se entende que existem vários níveis de controle e manipulação. E eu, depois de muitos traumas e privações, recentemente estou dando os primeiros passos para entender isso. 

Em um dia trivial você está viajando a trabalho e estamos nos falando pelo whatsapp. Eu te mostro a foto da minha nova tatuagem e você da caixa de som que colocaram pra tocar. Isso é quase novidade pra mim, pois quando estamos distantes você não se comunica muito comigo de maneira descontraída. Então eu te pergunto: "Amor, por acaso você sabe onde está o tripé da ring light:" , e você me pergunta por quê estou perguntando isso, e eu digo "porque não me lembro onde está". Você me diz "Está aí em casa" e eu espero, considerando que é uma brincadeira. Depois de alguns minutos, pergunto "você não sabe onde está?" e a resposta "não sei". Respondo então que tudo bem e você retruca "Pra quê você quer ela?". Eu digo "Não é dificil de adivinhar, quero tirar umas fotos da minha tatuagem, não precisa ser grosso." E você diz: "Eu sei onde está, mas agora não vou falar." Continuo achando que se trata de uma brincadeira, porém começo a ficar irritada quando se passam mais de 10 minutos. 17 minutos depois então eu digo, irritada e infantil, que não precisa mais falar comigo. Ainda espero que responda que é uma brincadeira, mas você começa a me ignorar, e eu, sem controle emocional nenhum, começo uma briga. Pergunto o que estava fazendo que não poderia responder as mensagens que estava lendo e você diz "Estou no posto Fênix".

Corta pra um dia anterior quando eu, depois de 2 dias muito dificeis, te mando uma mensagem dizendo que estou indo ao posto beber cerveja com um amiga. Depois de embriagada, minhas ideações suicidas e todos os transtornos psicológicos atacam. Dirijo por uma estrada escura por vários quantos km com o som extremamente alto. Volto pra casa e te mando uma mensagem claramente embriagada num tom um pouco agressivo dizendo que estou cansada de viver. Você ignora o perigo que corri e diz que estou bêbada. Tudo bem, estou mesmo, mas agora estou em casa. Nos despedimos.

E de novo na nossa conversa, você está em uma cidade totalmente diferente, e começo a te questionar o motivo de falar sobre "o posto" aleatoriamente no nosso assunto, e relembro como você sempre se descontrola de ciúmes quando eu vou a qualquer lugar que seja sem você. Inclusive sobre lugares e assuntos que são totalmente neutros ou corriqueiros. Então fico mais nervosa e a nossa briga se agrava. O que era uma briga extremamente boba chega no momento crucial de uma enorme bandeira vermelha:

"O que custava você falar pra que queria? Você é minha esposa e tenho DIREITO de saber".

Teria sido mais fácil se eu, no começo da conversa, simplesmente tivesse dado satisfações a você do motivo -mesmo quando te percebi hostil-. Encerraria o assunto e evitaria uma discussão. Mas pense bem: para homens nunca é claro o quanto o controle e a violência podem começar sutis, pois a eles é natural e estrutural que seja assim. E mesmo que no momento não tenha entendido entrei na defensiva. E fui chamada, olha só, de "louca". A discussão continuou até chegar em palavras que não devem ser ditas um ao outro. Me culpei por ter comprado uma briga "atoa". Com um pouco mais de calma, revisei as mensagens no aplicativo, e finalmente entendi. Era uma chantagem. Sim, uma chantagem. Parece ridículo? Não para uma relação em vias de ser abusiva. A chantagem consistiu em usar seu conhecimento (onde está item x) para ter controle sobre itens ou situações privadas (o que eu iria fazer com aquilo). E aí eu te pergunto, você como marido, tem direito de ser dono do que eu faço ou deixo de fazer? Tem direito de me proibir (invibializando o meu uso) com condições de que para permitir deveria controlar os motivos e as intenções? Você usou as armas que tinha. É sutil. Começa assim. Poderia ser exagero? Seria, se infelizmente não fosse uma realidade tão forte e tão reincidente com mulheres em todo o mundo. Talvez você já conheça a história da rã e da água fervente - se joga uma rã em uma caldeira com água fervendo, ela com certeza vai pular para fora na mesma hora. Mas se a joga numa água em temperatura agradável, e vai gradativamente aumentando, de maneira que não seja uma mudança brusca, ela vai ser cozida até a morte. - Conseguiu entender? Todo abuso começa de maneira sutil. Nenhuma mulher vai achar uma delícia ficar com um homem que, logo de cara, a agride, a cerceia, a controla, a isola. Ela vai fugir. Mas um relacionamento pode começar agradável, ter muitos e muitos momentos felizes que a façam ficar. E é esquentando a água aos poucos que o ciclo se perpetua. Os sinais são discretos, vem aos poucos, e até que se manifestem de maneira mais clara o ciclo já está em curso. Estou tentando aprender que minha liberdade não se negocia; nem mesmo pela paz de "evitar uma briga". Todos os relacionamentos que tem uma bandeira vermelha vão se tornar agressivos fisicamente? Não. Alguns fisicamente, alguns verbalmente, alguns vão envolver manipulação, estupro, isolamento, alguns todas essas coisas juntas. Excessões? Claro. Raríssimas. Mas não o suficiente para que uma mulher, ao ver um sinal de alerta, deva ignorar.

Ain, Solange, mas você fez todo esse auê por causa de um tripé de uma ringlight? Não, meu querido. Eu fiz por todas as vezes que fui calada, silenciada, abusada, traída, agredida. Eu fiz pelos traumas que todos os homens que passaram por mim causaram, inclusive você. Não negocio minha liberdade e minha autonomia.



05 fevereiro, 2023

 Depois de passar dias despersonalizada eu senti a visão turva se alinhando devagar depois que te abracei. Acho que meu gatilho é ficar sozinha, todas as crises parecem fazer um pouco mais de sentido pensando por esse lado.

Mas eu estava enganada quando achei que a despersonalização estava insuportável e fui precipitada quando quis que ela acabasse. Ela me mantinha dormente, num estado de transe, uma fuga. E agora que todas as camadas do meu cérebro parecem estar se realinhando a dor voltou. O desespero, a rejeição, todos os pensamentos negativos e persistentes de inutilidade batem forte no meu peito. A sensação de que não tenho nenhum tipo de valor e de que sou um peso me espanca. O choro tenta ultrapassar os olhos e me sinto caindo, caindo. Sentir dói.

07 setembro, 2022

Acordei e abri os olhos, totalmente zonza eu olhei em volta: tudo era iluminado artificialmente num ambiente estéril. Eu não sabia se era dia ou se era noite. Estava sozinha e nua, apenas um tecido verde jogado por cima do meu corpo, e não fazia idéia de como ou porquê tinha ido parar lá.
Quando a vertigem começou a passar, eu me percebi em uma maca, com fralda, dreno e sonda. Não conseguia me ambientar ou raciocinar direito até que um médico entrou, me olhou nos olhos e disse: "Você se lembra do que aconteceu?" Eu pensei e pensei por alguns minutos e então caí no choro enquanto voltava no tempo.
Era um dia de folga qualquer, eu não tinha nada específico na mente, mas meu corpo indicava alguns sinais de ansiedade: A boca seca, a queimação nas costas e inquietação nas mãos e pés. Eu não chorei. Alguns detalhes ainda me fogem, mas de repente tudo começou a perder o sentido, um vazio e ao mesmo tempo uma angústia, como se eu não soubesse o que fazer comigo mesma. A inquietação piorou, mas eu não desisti - em nenhum momento eu desisti de viver - o que é estranho e confuso. Como se carregasse uma pedra enorme nas costas me senti esmagada, eu perdia o ar e meus pensamentos começaram a se acelerar e focar em todos os momentos da minha vida em que me senti triste ou perdida, em todos os momentos que me senti desnecessária para o mundo e um peso para as pessoas eu me amavam. Mas eu ainda não desisti, eu não pensei na morte, não pensei em nenhuma consequência, eu acho que no fundo só queria fazer aquilo tudo parar. Meu peito queimava, como se fosse explodir. Então, não consigo me lembrar de nada além de flashs: eu sentada e a mão cheia de remédios amarelo-alaranjados. As cartelas jogadas no chão. A água fria descendo pela garganta. E depois o nada. Apenas acordei naquele momento horrível em que o médico, além de me perguntar se eu lembrava do que tinha acontecido, disse em voz baixa que eu deveria morrer logo para dar lugar a quem precisava. Mas eu ouvi, e não soube reagir ou lidar com aquilo naquele momento.
Apartir daí lembro de menos coisas ainda. Não sei em que momento eu descobri que havia passado 8 dias em coma, ou em que momento meu Moreno chegou, ou ainda em que momento todas aquelas coisas foram tiradas do meu corpo. E depois disso veio a parte mais difícil: lidar com os danos que causei não só a mim mesma, mas às pessoas que se importavam comigo de verdade. Ver os vídeos que meu moreno gravou pra mim enquanto eu estava desacordada, claramente cheio de sofrimento, ou olhar nos olhos da minha família enquanto eles me olhavam com alívio e medo, com desespero, com dúvidas, e com tanto amor. Ou ver os vídeos dos meus amigos tentando dizer com convicção que eu ia sair dessa, mas sem conseguirem disfarçar a agonia e a tristeza de não saber se isso ia realmente acontecer. Assimilar todas essas informações, somadas aos danos físicos, me deixaram completamente perdida e sem chão. Eu não conseguia caminhar, comer ou dormir. Não conseguia fazer a maioria das outras coisas sem ajuda. Foi um processo lento e doloroso que eu ainda não superei. Sofri tanto preconceito, tantos julgamentos, e isso não me ajuda em nada com o meu processo de recuperação. Depois de um mês eu já voltei a ser uma pessoa funcional, já voltei pro trabalho e à minha rotina, mas não acabou todo esse processo de melhora, tento focar na terapia, nas consultas com o psiquiatra, e nas medicações que me ajudam, mas eu sempre fui uma pessoa neuroatípica e não sei se isso um dia vai mudar. Às vezes ainda questiono se eu realmente mereci a segunda chance que ganhei. 


20 fevereiro, 2022


Tenho dificuldades de encarar que durante aquele tempo alguma coisa mudou de maneira irreversível.

Eu sei que ainda preciso de você como preciso do ar para respirar, e isso não é só uma frase romântica retirada de livros adolescentes, é minha realidade. Eu realmente acho que sem você eu sucumbiria ao desespero ou ao vazio de maneira em que não conseguisse comer ou dormir. Mas é diferente, e o mais estranho é ter sentido exatamente quando tudo mudou.

Naqueles meses, enquanto você permanecia fora, eu senti nas minhas entranhas o sentimento se contorcendo e se transformando, e quando você chegou foi tudo tão estranho, era como se não mais nos conhecêssemos ou nos amássemos, como se tivesse evaporado toda aquela intimidade que eu sempre senti desde quando te conheci. 

Temos caminhado juntos, mas de vez em quando precisamos mudar a direção, e assim seguir procurando qual o melhor caminho para voltarmos a ser felizes. E nessa estrada vamos reaprendendo todos os detalhes um do outro, aprendendo a amar essa nova versão de nós que a vida fez surgir.


16 fevereiro, 2022

  

 Naquele momento eu entendi que todos os meus medos, minhas crises de ansiedade e minhas noites sem dormir no último mês tinham um motivo concreto. Não era uma paranoia como todas as outras. Todos estavam realmente comentando de mim o tempo todo nas minhas costas. Rindo, acusando, julgando, odiando ou fazendo chacota. Pela primeira vez na vida eu tive que encarar de forma muito direta o fato de ser neuroatipica, tive que encarar as consequências de ser uma pessoa problemática e pouco funcional.

    E naquele momento, quando tudo fez sentido, eu senti como se estivesse caindo para o inferno, uma sensação real de que o chão tinha se aberto e que eu estava em queda livre. E eu me mantive assim, flutuando de uma maneira cruel, sem realmente chegar a destino nenhum, com o peito em chamas e a cabeça fora da realidade. A medicação tem me mantido viva, é inegável que eu sinto como se fosse sucumbir se não houvessem essas muletas químicas, mas ainda existe o desespero, como se nada mais fizesse sentido ou devesse existir, inclusive e principalmente eu.

Os pensamentos obsessivos me torturam 24 horas por dia, acordada ou dormindo, eles estão ali, fazendo com que eu me martirize e me culpe e me envergonhe. Com que eu pense que não tem saída, que não tem futuro. Não sei o que fazer. Estou tão perdida e tão sozinha... Não consigo lidar nem encarar tudo isso, sei que sou fraca, sempre fui.

"Inerte no inferno que nem mesmo a medicina soube antídoto..."