Começou com coisas irrelevantes. Com rápidas ligações anônimas. Eu acho mesmo que a adrenalina é o tipo de coisa que vicia. O pulo que o coração dava no intervalo entre o botão de chamar e o primeiro toque não era mais suficiente, quando então os minutos de silêncio na linha se prolongaram, e surgiram suspiros, risos, tosses. Surgiu a falta de um perigo maior, uma fascinação obsessiva pelo proibido. E sem uma sequência lógica, sem que eu pudesse perceber, a voz saiu; e manipulava. As mentiras saíam com uma naturalidade assustadora, o tom era suave e o sotaque diferente. A princípio, tudo correu bem, mas eu queria mais. O meu vício me cegou e eu fui em frente, mesmo arriscando valores, sentimentos, pessoas. O frio na barriga de ter tudo em jogo me impulsionava. Eu me arrisquei e não sei ainda as consequências dessa loucura. Eu menti, eu confundi, eu joguei. Eu gosto dessa sensação. O poder, o frio na barriga. Ser uma "ótima jogadora" me fez sentir uma emoção estranha que talvez tenha feito falta na minha vida esse tempo todo. Eu arrisquei tudo, mas e daí? Foi perfeito.

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Não se pode confiar nos olhos quando a imaginação está fora de foco.

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