Ele tem o cabelo tão negro e macio que parece irreal. Aquele sorriso é perfeito por natureza, dono de uma hipnose insana. O contorno do rosto, os olhos, alguma coisa nele me chama atenção. Mas tem aquela estranha sensação de que algo está errado, e ainda assim insisto em permanecer aqui.
Eu não estou exatamente apaixonada, mas gostaria de estar. Parece uma oportunidade e tanto de seguir em frente, de viver uma coisa diferente que não as antigas mágoas já tão repetidas. Mas não me sinto inteira; Uma parte de mim grita "vai garota, anda, se joga", e outra parte quer que eu permaneça indiferente, dormente, isenta de qualquer sensação mais intensa.
Ele pediu, tímido, "namora comigo?", e essa frase, de repente, já não fazia sentido algum. Há tanto tempo eu já não sei como é estar de verdade com alguém, não sei se ainda sou capaz. Prometi pensar, e tenho pensado -juro-. Mas não consigo ter uma resposta.
Já cansada de trazer o passado em cada gesto, penso em como seria bom ter uma nova história. Ter um presente pra viver. Mas em seguida vem o medo, paralisante.
Talvez eu mereça uma chance (Talvez nós mereçamos). Quem sabe todos mereçam sempre novas chances e novas tentativas, afinal, o tempo passa e a vida só para quando a morte chega. Nesse intervalo as chances vem e vão, basta agarrá-las. Tudo sempre pode mudar - talvez não para melhor, mas sempre diferente -, e não se pode desistir de agarrar a chance certa.
Ele me encanta, é verdade. Acho que posso pensar melhor sobre apostar algumas fichas nesse encanto.

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Não se pode confiar nos olhos quando a imaginação está fora de foco.

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