Pregação

Na tarde de ontem, eu estava no meu local de trabalho, quando um senhor de meia idade que aguardava na recepção se aproxima do balcão. Do nada, pergunta se sou evangélica. Respondo com calma que não. Ele repete a pergunta, repito a resposta.
Me olhando com um misto de raiva e pena, ele pergunta: "Por quê?". Acho prudente ficar em silêncio. Me pergunta então se sou católica, e, na esperança de encerrar o assunto, digo que sim e me ponho a fazer algo para demonstrar que estou ocupada.
Ele insiste: "Nunca quis ser evangélica?" "Não", respondo já um pouco irritada pela inconveniência. "Por quê?", ele brada em voz alta. Com uma paciência forçada, digo lentamente que cada um tem as suas crenças e suas escolhas e volto a trabalhar. Insistente, ele me pergunta arrogante em que parte da bíblia está escrito que os católicos serão salvos. Mentalmente solto um palavrão e paro de prestar atenção no que ele diz. Uma cascata de fanatismo preconceituoso começa a jorrar da boca dele em forma de pregação, ignoro e exclamo "uhum" vez ou outra para fingir que estou prestando atenção. Ele não para. Distinguo que, nervoso, ele está citando versículos; faço cara de interessada na tentativa de acalmá-lo. Todos os pacientes o olham assustados e me encaram em seguida com olhares de acusação; Me questiono o porquê de tanto ódio, porque é que ele se incomoda tanto com uma afronta que não fiz? O senhor não é aparentemente portador de nenhum distúrbio mental, eu não o conheço e não dirigi a palavra a ele. O tratei com a educação típica que uso para lidar com o público. Me forço a prestar atenção, e ele está vociferando ofensas contra mim em meio à citações bíblicas. 
Uma paciente, compadecida, inicia um assunto qualquer comigo, que volto minha atenção a ela e o senhor se cala. Depois que é atendido, antes de cruzar a porta, ele me lança um olhar de reprovação recheado de ódio, pragueja contra mim em voz baixa, e se vai. Volto a fazer meu trabalho, com paciência e educação.
Não é a primeira vez que passo por uma situação semelhante, elas acontecem com frequência em diferentes tipos de ambiente, e agora pergunto: Porquê as pessoas pregam tanto ódio e discriminação em nome de religiões que, na teoria, seriam feitas para disseminar o amor?

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Não se pode confiar nos olhos quando a imaginação está fora de foco.

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