Encontro

Assim que estacionei, de longe visualizei seu vulto. Alguma coisa se contorceu no meu estômago e só então me dei conta do quanto estava nervosa. Era ridículo isso; minhas mãos tremiam violentamente, e eu sei que você percebeu como aquele encontro me afetava.
Conversamos por alguns segundos, ou minutos, ou por uma hora, não sei. E a verdade é essa: quando se trata de você, eu nunca sei de nada. Não sei o que sinto, o que é permitido, o que é real. Perco um pouco a noção entre presente e passado e me afogo nos meus próprios anseios.
Ficamos ali falando sobre assuntos superficiais e fugindo quando nossos olhares se encontravam. Risos de nervoso entrecortavam o silêncio quando as palavras acabavam.
Eu não sabia mais que dava pra ser assim... O que me recordava (e esperava) de nós era tão turbulento, tão conturbado, que nossa calmaria me surpreendeu e retocou sua imagem dentro de mim. Você estava ali, na minha frente, e eu não tinha ódio, não tinha mágoa, não sabia o que dizer. Era apenas uma pessoa normal reencontrando um alguém incrível.
Quando saímos dali, nossas bocas se encontraram automaticamente num beijo desesperado e eu soube que o que eu senti por você nunca teve fim. Eu senti seu peso em mim e suas mãos no meu cabelo, o desejo brotou mais forte que nunca e seu cheiro trouxe à tona todas as nossas noites, nosso encaixe, nosso suor. Quando nossos corpos se tocam, eu quase posso jurar que uma química única paira no ar.
Mas no meio dessa nuvem, como no fim repentino de um sonho, você se foi. 
Continuo esperando uma chance de ver transbordar aquele vulcão que acordamos com esse encontro, mas por mais que eu tenha acreditado que minha presença transformaria algo em você, é uma espera unilateral.
Confesso que tive esperanças de que você não conseguisse se afastar depois de sentir meu gosto. Esperanças de que relembrar nossa história despertasse em você qualquer coisa que fosse tão forte quanto o que senti todos esses anos.
Mas a verdade toda é que preciso parar de romantizar coisas que não tem nada a ver com amor. A sua partida é só a sua partida.
Gradativamente, a minha saudade aumenta a cada dia, e a lembrança dessa noite se torna cada vez mais forte. Quase posso sentir sua presença quando me deito para dormir. 
Sinto vontade de sentir seu corpo em mim, suas mãos na minha cintura, seu hálito no meu rosto. Vontade de pular num abraço forte, de acordar olhando pros seus olhos cor de mel. Só aumenta meu anseio de apertar a sua mão durante um filme, de dançar com meu corpo colado no seu, de ouvir seu riso sufocado pelas minhas cócegas.
Todo o desejo que sinto tem a ver diretamente com o amor que tenho por você.
E agora, mais do que nunca, ele só aumenta.

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Não se pode confiar nos olhos quando a imaginação está fora de foco.

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