O fim

Eu relutei em escrever sobre nosso fim. Eu nunca soube bem como descrever nada entre nós. Nossa relação, nossas incompatibilidades, tudo sempre foi um incógnita em meu peito.
E agora, igualmente não sei como encarar um fim tão indefinido, menos ainda explicá-lo em palavras.
Me envergonho em assumir que quando tudo começou, não era exatamente você que eu enxergava, demorou um tempo até que eu pudesse assimilar e parar de visualizar outra pessoa em seus olhos. Mas eu enxerguei você. Sim, com o tempo eu aprendi a gostar das suas particularidades, do seu maxilar quadrado e das suas mãos calejadas.
Eu não te amei, anjo. Mas eu nutri por você um sentimento igualmente puro que me levou a fazer da minha vida sua. E vice versa. Você também não me amou, eu sei que não. Talvez por isso nossa separação pareça tão insossa, tão previsível.
Mas eu sinto a sua falta. Sinto falta da sua casa que já era tão minha, do meu toddynho na geladeira, do cheiro dos seus lençóis. Sinto falta do seu queixo nas minhas costas nas noites frias, de me embolar com você no carpete até ficar sem ar, do cafuné gratuito numa tarde de domingo.
Vez ou outra ainda nos encontramos. Conversamos sobre a vida, as pessoas, sobre nós. Sem brigas, sem cobranças, sem pudor. O nosso fim não é exatamente um fim. Ás vezes toco seu interfone de madrugada, bêbada. Você me acolhe, me devora, me deixa dormir até mais tarde. Eu prefiro acreditar que somos adultos suficientes a dizer que, talvez, em outras circunstâncias, teríamos nos amado e construído uma história eterna.
Você diz aceitar com naturalidade quando eu encontrar um outro alguém, eu já não sei como meu coração vai reagir. Sou ciumenta, você sabe. Isso faz de mim egoísta?
Mas eu sei que não há mais possibilidade. Não de dividir uma vida. Não de seguir adiante. Nós não fomos feitos um para o outro e não vou fingir que não fiquei triste. Acho que há sempre um ar melancólico quando um relacionamento acaba. Mas aceitei em paz as escolhas do destino.
Na minha agenda, seu nome ainda consta como "Anjo". E não acho que eu deveria mudar. Não tenho raiva, não tenho mágoa, não tenho culpa. Você vai ser pra sempre especial.

0 COMENTÁRIOS:

Postar um comentário

Não se pode confiar nos olhos quando a imaginação está fora de foco.

Cinderela Compulsiva Copyright © 2013 - Todos os Direitos Reservados

  

Web Statistics