Eu acreditei que precisava me redimir. Acreditei que, em nome de tudo o que você passou, seria justo que eu sofresse. Achei que qualquer humilhação ainda seria insuficiente se tratando de você. Mas eu me enganei. Eu me enganei quando comparei as coisas dessa maneira, e quando achei que você merecesse tudo, merecesse o mundo, merecesse as minhas dores entregadas em uma bandeja. Você é apenas humano e eu apenas uma menina. Você não precisa da minha humilhação e nem eu do seu desprezo para consertar as coisas; se elas tivessem que ser consertadas, seria com uma conversa, com um abraço, seria com a felicidade que a gente não teve. Mas infelizmente o tempo leva com ele algumas possibilidades, e eu preciso aprender a aceitar isso. Tudo bem que desistir pode não diminuir a dor que pulsa aqui dentro, mas pode aumentar as chances de seguir em frente; pode preservar em você o último resquício de admiração pela pessoa que sou. Ou era.
Eu vou estar aqui, e não vou fugir se um dia tudo vier a tona novamente. Mas eu preciso cuidar de mim, e parar de esperar que você cuide. Se fosse ódio, se fosse mágoa, se fosse vingança, talvez fosse reversível. Mas essa sua indiferença ainda vai me matar se eu continuar olhando pra ela.

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Não se pode confiar nos olhos quando a imaginação está fora de foco.

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