O lado sombrio havia sumido. Eu mal pude acreditar no que os meus olhos viram.
Era uma nova essência no mesmo rosto, uma nova voz saindo da mesma boca, um novo olhar dentro dos mesmos olhos. Foi estranho e ao mesmo tempo um alívio, pois destruiu a sensação ilusória que eu tinha de uma história real sombria e indecifrável.
Encerrou o último capítulo, fechou a capa. E esse livro ficou guardado na estante do meu coração, junto com todos os outros que preenchem as prateleiras.
Ele parecia um menino; aparelho nos dentes, sorriso tímido, olhos suaves e doçura na voz.
E ele - o vilão misterioso, sombrio, indecifrável e charmoso - virou só mais uma personagem irreal de uma história, entre tantas, que já pude presenciar. Tudo certo agora; pois ela - o seu par romântico - há muito já havia evaporado e se limitado às páginas da minha lembrança.

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Não se pode confiar nos olhos quando a imaginação está fora de foco.

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