Eram os mesmos olhos, mas não era o mesmo olhar. Eram as mesmas bocas, mas não era o mesmo beijo. Nos tocávamos em busca da magia, mas nada acontecia. Por longos minutos permanecemos imóveis nos braços um do outro, respirando lentamente, recordando momentos de quando tudo era perfeito. O vazio pairava no ar. Parecia um tempo tão distante, e agora havíamos nos tornado desconhecidos um ao outro; e nada podia mudar isso.
Eu podia enxergar a sua frustração, que, no entanto, não era maior que a minha. Os motivos que nos levaram ali eram claros, e não faziam parte de um desejo físico. Fomos atraídos pelo desejo insano de retomar um amor que o tempo matou.
Eu ainda gostava dos cabelos dele, e da curva que faziam sobre a nuca. Mas não sentia mais ânsia de tocá-los. Ele ainda gostava dos meus olhos, mas eu sabia que já não se hipnotizava por eles. E eu sequer sabia se ele havia trocado de perfume. Não fazia diferença, porque o cheiro do qual eu me recordava nunca mais seria igual. Era cheiro de paixão.
Nos despedimos com um sorriso cordial, um beijo superficial. Era estranho pensar nas coisas dessa maneira e eu agora sei que nos enganamos todo esse tempo. Fomos traídos pela lembrança. Enganados pela saudade de uma história que ficou pra trás.
Sempre terei saudade do que fomos um dia. Mas agora sabemos com clareza que não há mais como sermos aquela explosão de emoções que um dia tanto nos enlouqueceu.

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Não se pode confiar nos olhos quando a imaginação está fora de foco.

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