Superação. Eu nunca soube o que realmente significava essa palavra. Pois hoje sei que é uma vitória que só o dono dela pode compreender. É a vitória de uma luta consigo mesmo.
E onde eu cheguei, só eu posso compreender. Depois de tantas vezes que simplesmente achei que não tinha mais forças, das milhares de vezes que cogitei desistir, das dificuldades cada vez maiores, dessa batalha árdua e contínua, eu ainda estou de pé. Eu tive apoio, tive e tenho pessoas que batalham comigo e que ficam felizes a cada passo, mas a alegria explosiva de vencer as pequenas coisas que me travavam só rescende mesmo dentro de mim.
A luta não acabou, e eu continuo em frente. Sei das recaídas e das dificuldades que ainda me esperam. Sei que é só um passo e há coisas muito maiores a serem vencidas.
Mas me deixa hoje com a leveza dessa vitória. Me deixa aqui, emocionada, e se não puder compreender, apenas se cale. Me deixa chorar de alegria depois de tantos anos chorando de dor, de angústia, de tristeza. Me deixa sorrir sozinha enquanto lavo a minha casa, porque por tanto tempo eu me martirizei e me culpei por não gostar de cuidar do lugar onde vivo, e agora eu tenho prazer em cada detalhe. Prazer! Só quem vive sem ele sabe a falta que ele faz. Me deixa aqui, cuidando de mim o dia todo, me olhando no espelho, testando aquela maquiagem, penteando os cabelos. Hoje eu consigo me olhar sem repulsa, você sabe o que significa isso? Que se dane se alguém reparar nas minhas cicatrizes. Hoje convivo com elas, não com nojo, não com amargura, mas com orgulho. Pois só eu sei como foi difícil chegar a esse ponto e me livrar de todo o sangue. Me deixa estar eufórica por estar assistindo todas as aulas, porque a rotina só me prova como eu estou recuperando o controle da minha vida.
Se passou uma semana. Sete dias! Sete dias normais. Sete dias de paz. Sete dias sem que minha alma me martirizasse com a angústia e me penalizasse com todos os sintomas físicos terríveis. Meu Deus, obrigada. Sete dias de luz são uma eternidade pra quem passou anos no fundo do poço.
Então eu vou ficar aqui. Vou cozinhar, ver um filme, ler. Ah, como eu tinha esquecido do conforto de ler um livro. Vou cantar uma música, dançar sozinha, dormir. Vou concluir minhas obrigações, vou fazer escolhas. E repetir pra mim mesma, diversas vezes, como isso é bom. Porque hoje eu sei: eu sou uma guerreira, uma vencedora, uma pessoa forte. E hoje eu tenho um sentimento que há muito havia me abandonado, que me move e me faz seguir em frente... Hoje eu tenho esperança!

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Não se pode confiar nos olhos quando a imaginação está fora de foco.

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