É difícil tentar explicar coisas que nem eu consigo entender. Lidar com isso é um trabalho árduo e recheado de críticas. Principalmente minhas.
Lidar comigo mesma e com a maneira de passar isso para o mundo concomitantemente é mais do que eu poderia saber conciliar.
Existe alguma coisa me matando por dentro. E mais do que nunca isso transparece fisicamente; as olheiras profundas, a magreza exagerada, os olhos vidrados e o corpo frágil. E junto as perguntas idiotas: "Andou bebendo?" "Largou do namorado?" "Não tem dormido?" "Tá doente?".
Que tal: "Sim, estou doente. Muito doente, às vezes me sinto em estado terminal.", ou "Isso não é da sua conta."? Não sei qual soaria pior. Qualquer coisa que eu responda sempre é a resposta errada.
Qualquer coisa que eu faça sempre é a atitude errada.
Então, entenda, se tornou um pouco mais difícil esconder isso agora. As desculpas vão se esgotando e eu me sinto acuada. As minhas tentativas de ser compreendida vão se frustrando uma a uma e quero cada vez menos tentar.
Não dá pra sair falando sobre o que é tão confuso em mim.
Pouco a pouco, estou sendo obrigada a deixar de me relacionar. Para obter um número menor de respostas negativas prefiro não responder. Tenho me afastado de pessoas que faziam parte do meu convívio. Tenho me afastado de pessoas que só estavam por perto por curiosidade. Tenho me afastado de pessoas que realmente se preocupam comigo.
Tenho me afastado de todo mundo. Só não consigo mais sorrir como antes. Já não sai da minha boca um "estou ótima" junto com aquele sorriso convincente. A minha apatia é clara e tenho me trancado em casa.
Além de viver com esses fantasmas, com toda essa angústia, com tudo que me consome e não tem um porquê, eu tenho que conviver com a tarefa de esconder isso do mundo. Acredite, eu tentei de outra maneira. E acredite, deu ainda menos certo.
Mas dói tanto viver assim.
Acho que eu estou mais que um pouco cansada. Acho que estou esgotada. 

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Não se pode confiar nos olhos quando a imaginação está fora de foco.

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