Eu já vi esse filme antes. Chegou o momento. A hora de me calar. O momento de parar de tentar, inutilmente, buscar apoio de quem não tem mais nada a oferecer. 
É difícil parar de dividir suas angústias com quem sempre as ouviu, com quem sempre se importou com elas. Mas é torturante continuar buscando e dando com a cara na porta. Buscando amor e vendo a indiferença nos olhos, a dureza nas palavras, a falta do cuidado.
É a hora de parar de se lamentar com quem não se importa mais com seus lamentos, quem não pode mais saná-los. 
Se não for assim, posso enlouquecer, eu sei bem. Anos e anos já o fizeram antes.
O fim do amor é sempre triste. Mas o fim do amor de quem ainda amamos é uma dor insuportável.
Eu jurei que não passaria novamente por isso. Jurei virar as costas antes que eu mesma me agredisse tanto, pois é inútil bater na porta se a casa está vazia. Mas eu estou aqui. Por isso agora é a hora dolorosa de me recolher e parar de lutar por uma guerra perdida.
Já estou desgastada por buscar afeto e receber indiferença. Estou cansada de tentar e tentar e me magoar em todas as tentativas.
Agora deixo meus lamentos me corroerem por dentro, as mágoas sufocarem. É assim que tem que ser. É assim que tenho que ser. Forte. É a hora de aguentar tudo sozinha. As lágrimas voltam a ser só minhas. 
O curso do rio segue como tem que ser. Só não vou mais me calejar tentando amontoar pedras para mudá-lo.

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Não se pode confiar nos olhos quando a imaginação está fora de foco.

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