Tudo bem ter uma recaída, não é?
Quero dizer, tudo bem trair meus princípios de novo,
tenho tantos amanhãs pra
continuar tentando.
Não é?
Vez ou outra ainda nos encontramos. Conversamos sobre a vida, as pessoas, sobre nós. Sem brigas, sem cobranças, sem pudor. O nosso fim não é exatamente um fim. Ás vezes toco seu interfone de madrugada, bêbada. Você me acolhe, me devora, me deixa dormir até mais tarde. Eu prefiro acreditar que somos adultos suficientes a dizer que, talvez, em outras circunstâncias, teríamos nos amado e construído uma história eterna.
Quando saímos dali, nossas bocas se encontraram automaticamente num beijo desesperado e eu soube que o que eu senti por você nunca teve fim. Eu senti seu peso em mim e suas mãos no meu cabelo, o desejo brotou mais forte que nunca e seu cheiro trouxe à tona todas as nossas noites, nosso encaixe, nosso suor. Quando nossos corpos se tocam, eu quase posso jurar que uma química única paira no ar.
Eu quero gente gostosa. Gostosa de conversar, gostosa de abraçar, gostosa de rir junto. Gente que embala e faz o dia passar depressa, que não constrange com cantadas mecânicas. Quero gente que repare nos meus olhos e nos meus assuntos pra ver se gosta ou não gosta de mim, que cai fora quando não flui, que fica quando se sente em casa, não importa se a conversa vai dar num boteco, num cinema, ou na minha cama.
Ávida por suas ilusões, acredito quando diz que olhava pro meu contato todos os dias na espera do desbloqueio, sorvo cada palavra desesperadamente quando fala ter procurado vestígios no meu blog. Permaneço buscando sinais, descodificando status, acatando esperanças.