Era sexta feira, e eu permanecia estática no sofá de uma sala que não era a minha, rodeada de amigos que não pareciam meus. Talvez não fossem. Eu tinha que me controlar e fingir que estava tudo bem. Tinha que conter as lágrimas enquanto aquela maldita queimação no estômago me torturava.
Eu tinha que fingir que tudo era natural, que nada mais me abalava, independente do quanto estava destruída por dentro ou do quanto meu último romance fracassado ainda mexia comigo. Tinha que fingir que não tinha estado no inferno no último ano. Eu queria uma maneira de fugir de tudo e quanto mais tentava, mais estava cercada por toda aquela dor e aquelas histórias cheias de angústia. Talvez ainda estivesse no inferno. Talvez.
Por mais longe que eu parecesse estar, doía. Todas as feridas ainda sangravam, e eu tinha que estampar aquele velho sorriso amarelo e fingir que tudo estava em paz.
O estômago ainda queimava, e quanto mais apertado me parecia o coração, mais sorria. Um sorriso sem cor, sem emoção, enquanto respondia mecanicamente à qualquer pergunta e parecia um pouco ausente à qualquer assunto, mas sorria, era o que importava. Sorrindo não haviam questionamentos.
Mas continuava tentando; eu voltava pra casa com o mesmo sorriso amarelo e dormia ainda com ele. Eu tentava esquecer de tudo que vivi. Talvez eu ainda conseguisse, só não sabia ainda.

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Não se pode confiar nos olhos quando a imaginação está fora de foco.

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