Era claro como tentar calçar um sapato que não nos serve mais: a angústia;
Não encaixava, não fazia parte, tirava tudo do eixo. Machucava. Doía o calo antigo. Arrancava as cascas das feridas que começavam a cicatrizar. Mas que diabos aquele sapato ainda fazia no guarda-roupas?
Era claro como tirar um sapato que machuca: o alívio.
Eu coloquei com cuidado o sapato gasto no lixo. Os pés, livres, no chão. Sei que novamente os dedos iriam doer por um curto tempo, mas as cicatrizes me lembrariam que agora preciso encontrar algo do meu tamanho. Algo que não doa, que não sufoque, que não angustie.
A sola dos pés sentia o frio do piso, era incrível.
Acho que as vezes os pés - e o coração - precisam pisar no chão pra se libertar.

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Não se pode confiar nos olhos quando a imaginação está fora de foco.

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