30 dezembro, 2014

"(...)Era o último dia do ano e eu também sabia que não tinha ninguém.(...) E minha solidão sussurrou em meu ouvido como ia ser duro começar mais um ano me sentindo assim.(...) Eu quis chorar, mas em vez disso, eu ri. E o riso foi virando soluço e virou um gemido estranho. Eu quis chorar, mas então gritei. Gritei porque não cabia mais esse tamanho de dor aqui dentro e era muito difícil conviver com ela. Porque não sabia mais o que fazer e eu tinha que fazer alguma coisa. 

Gritei porque era o último dia do ano e eu sabia que não faria diferença nenhuma."

RAMOS, Solange. 2013.


Exatamente 364 dias depois, aqui estou eu. Autora solitária, com um pouco mais de esperança, talvez. Mais um reveillón cheio de dor e sofrimento, o último, assim espero. Mais um reveillón recheado de angústia em que tudo parece estar fora do lugar; porém uma data de fechar ciclos, o momento de acordar desse pesadelo que vivi. Eu tenho que ser forte para me curvar e aceitar essa dor até o fim, sem fugas, sem medos, tenho que esgotá-la até me libertar. Tenho que ser forte como nunca fui e talvez seja o momento mais difícil de todos esses anos enjaulada com essa dor. 

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