Sobre transtornos psicológicos

Eu sei que muitas pessoas que lêem meu textos podem não compreendê-los. Aliás, a maioria delas não o fazem, ou apenas interpretam de maneira errônea de acordo com os seus achismos. Escrever faz parte dos meus prazeres mais íntimos mas ser lida faz parte dos meus desejos mais explícitos. É bom pensar em alguém lendo com prazer as minhas letras tímidas. É bom extravasar de alguma maneira para o mundo. Mas nem sempre isso possui retorno positivo e confesso que as vezes isso me amedronta. Estar tão exposta assim é um risco a se correr.
Falar sobre assuntos delicados como transtornos psicológicos é ainda mais arriscado, se tratando de julgamento alheio. Mas eu o fiz. Eu expus minhas angústias e a guerra que enfrentei contra mim mesma na esperança de dar alívio a pessoas que, por algum motivo semelhante, se sentissem como eu. E pelo mesmo motivo hoje eu estou aqui para dizer que a luta tem fim. Estou aqui pra dizer que, mesmo em tantos momentos acreditando ser impossível, há uma solução.
Hoje sei dizer, livre de medos e de vergonha, que eu caí. Eu caí sim e ninguém pode me julgar fraca por isso. Eu dramatizei, sofri, desesperei, surtei. Mas eu "caí" porque eu fiquei doente. Porque existem questões hormonais hereditárias e questões sociais complicadas que levam a um transtorno desse tipo. E hoje sei aceitar isso. Milhares de pessoas no mundo são incompreendidas e consequentemente privadas de um tratamento decente em nome do preconceito. Um transtorno mental é uma doença como qualquer outra e deve ser tratada como tal. Eu não adoeci por um namorado, por uma faculdade, por morar sozinha. Entendam: As doenças psicológicas nem sempre tem motivos específicos, apenas agravantes.
Desde os 13 anos eu sofro de ansiedade sem motivo aparente e por falta de um tratamento adequado, que não busquei por vergonha e desinformação, eu desenvolvi TAG (transtorno de ansiedade generalizada), TOC(transtorno obsessivo compulsivo), transtorno do humor afetivo, fobia social e episódios depressivos.
É, parece muita coisa para uma pessoa só. Mas tudo está interligado. E precisamos falar abertamente sobre isso!
Há mais ou menos 5 anos eu comecei a sofrer de sintomas mais severos, e há dois anos insuportáveis. E não falar sobre o assunto me fechou para o mundo.
Há um ano finalmente a ficha caiu. Finalmente eu me abri com as pessoas próximas, e eu aceitei que precisava de ajuda. Precisar de ajuda não é vergonha. É força. Força em assumir suas próprias necessidades. E foi com muito remédio, muita terapia, muito apoio, muito amor, muita luta e muita persistência que eu cheguei até aqui.
Foi recaindo inúmeras vezes que eu aprendi a me equilibrar. E eu sei que somente quem passou por algo semelhante entende a dor e a angústia da trajetória. Só quem caminhou por essa trilha sabe o valor da paz interior.
O meu ano de 2014 foi o mais terrível, o mais intenso, o mais cansativo de todos. Mas foi também o mais incrível. Pois foi o ano que eu aceitei cada fraqueza minha, e lutei contra cada uma delas.
E é em nome das minhas experiências que eu suplico: Precisamos falar mais sobre transtornos psicológicos. Precisamos nos informar e, principalmente, abandonar os nossos preconceitos.

1 COMENTÁRIOS:

  1. ♥gostei muito, sol e mais ainda por saber que você tá bem e que tirou tudo isso disso tudo heh
    um beijo,
    line0omaria(;

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Não se pode confiar nos olhos quando a imaginação está fora de foco.

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