Foi uma das sensações mais esquisitas que já senti na vida. Poucas vezes me lembro de um vazio tão cheio e tão doído dentro de mim. Você rodando na minha cabeça, e a vida, e toda uma história, e tudo que eu já quis tantas vezes deixar pra trás e não consegui. Era o atestado do fim. Quisesse eu ou não.
Tudo que eu mais temi esse tempo todo aconteceu assim, bem do jeito que imaginei, de supetão e definitivo. E nem por isso dói menos. Eu nunca me preparei pra esse momento.
Era uma novela que não podia virar novela porque não tinha final feliz. Não tinha reencontro depois das confusões e nem mocinhos e vilões. Eu era a mocinha, eu era a vilã.
Está doendo de uma maneira esquisita, eu ainda não absorvi todas as suas palavras. Eu nunca entendo nada antes de chegar ao fundo do poço, às últimas consequências. E não vou entender até dar de cara com a porta quando sentir aquela saudade doentia.
Não vou entender até cair a ficha, até mentalizar essas palavras-chaves, sua vida, sua menina, a filha que você vai ter com ela.
Agora sou só eu e a realidade; você foi realizar um sonho seu do qual eu não faço parte. Você saiu dos meus sonhos e foi viver a sua vida real, e eu tenho que encontrar uma maneira de viver a minha. Sem fugas.
Vou sentir saudade das promessas e das palavras de amor. Saudade das músicas e dos dramas que nos envolveram todos esses anos, do perigo, do frio na barriga. Saudade da sua voz e da sua risada debochada. Do seu sotaque e do seu humor bobo. Das suas mensagens desconexas de madrugada, que me faziam perder o sono. De como você sumia e reaparecia do nada, me deixando toda trêmula, toda boba. Vou sentir saudade do sorriso que eu só dava quando falava com você. 
Vai doer a falta do sonho e das cenas que eu frequentemente criava na minha cabeça antes de dormir. A vontade de saber como você está, quando tudo que restar será o vácuo.
Mas o Adeus que você deixou flutuando no ar vai se assentar. Ele vai ser meu também. Que eu tenha outro sonho pra viver. E que, dessa vez, seja real.

(POST)

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Não se pode confiar nos olhos quando a imaginação está fora de foco.

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