Eu sabia que não podia ser. Mas os meus melhores momentos eram com você, e eu não conseguia abrir mão disso. Não conseguia abrir mão dos únicos momentos em que eu sentia prazer em alguma coisa. Em que eu sentia uma quase paz. Eu sabia que era como me drogar em busca de um efeito mágico passageiro; e a longo prazo tão prejudicial. Mas eu queria sugar essa pseudofelicidade até me embriagar. É verdade que já havia muita mágoa nas entrelinhas, tornando tudo um pouco mais pesado, anunciando a tempestade, mas eu ainda conseguia me perder naquele olhar, e isso valia tanto; pra uma dor que não conseguia se perder em praticamente mais nada, sumir naquele olhar era incrivelmente mágico.
Eu não queria ter que apagar a chance de segurar sua mão, como naquele dia no cinema, a sala vazia e o seu colo aconchegante. Não queria nublar a imagem da gente na tela do seu computador... Não queria vedar aqueles olhos... Não queria renunciar a chance de me acalmar com aquela voz doce... Aquele sorriso torto...
Mas não havia outra maneira, eu continuava sabendo que não podia ser. Escolher vender a alma em troca de momentos tão esporádicos era radical demais, era loucura demais.
E mesmo duvidando que eu pudesse, eu precisava me ter de volta. Abrir mão. Tentar. Acordar. Viver.

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Não se pode confiar nos olhos quando a imaginação está fora de foco.

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