Ninguém podia compreender. A ausência as vezes dos sintomas físicos faziam com que as pessoas a minha volta banalizassem o que eu sentia e me criticassem ou deixassem de lado, me fazendo sentir ainda mais rejeitada e humilhada.
As vezes eu tinha crises bastante físicas, dores bastante severas, taquicardia, dormência e afins. Era terrível e se misturava a todas as outras coisas que eu sentia por dentro; 
As vezes o que eu sentia era tão terrível quanto, mas não dava sinais que os olhos alheios pudessem ver. Era uma angústia descomunal, insolucionável, que me incapacitava de diversas coisas cotidianas e me deixava em desespero. Era algo inexplicável, que me tomava os sorrisos e a vontade de viver, mas não era só a falta da felicidade. Era o excesso da angústia, a sensação de estar caindo, de estar se perdendo, de não ter volta. Uma queda sem fim. Eu não podia lutar contra o que não via. Não podia buscar a saída se não sabia qual era o início daquilo tudo. Qualquer fosse o local, qualquer fosse a situação, não tinha pra onde fugir, porque o que me perseguia vinha de mim mesma. O que me destruía partia de dentro pra fora.
Ás vezes eu queria morrer, eu achava que não ia suportar, que não precisava, e via a morte como a única fuga. Mas sempre suportava. Até a próxima crise, até a próxima vez em que tudo parecia sem fim e todas aquelas coisas terríveis passavam na minha cabeça. Às vezes eu queria correr. Eu tentava, inclusive, fugir de um lado para outro; entrava em um ônibus e me concentrava na estrada. Vagava pelas ruas -no sol, na chuva, sem rumo- apenas tentando encontrar uma saída. Mas os caminhos se tornavam cada vez mais escuros e mais tenebrosos. Às vezes eu queria gritar. Então chorava alto e os soluços abafavam meu grito na garganta.
E quase sempre eu desistia. Desistia de tudo. Não queria morrer, não queria lutar, não queria tentar. E tudo que eu queria era poder não pensar. Apenas ficava olhando o mundo rodar e tentando aceitar essa sensação amarga dentro de mim. As lágrimas escorrendo quentes nas bochechas, caindo pelo queixo e enxarcando a roupa, a garganta apertada pelo nó dessa dor, a visão turva e todo o ódio e a mágoa percorrendo o meu corpo. Você provavelmente nunca me viu assim. Rolando no chão por uma dor que você não conseguiria assimilar, com os olhos foscos pela desilusão. Espero que não veja.
Eu estava cansada dessa proporção, de um dia normal e 10 nesse desafio injusto que eu tinha que viver. Cansada de não ter paz.
Eu precisava de paz.
Eu preciso de paz.

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Não se pode confiar nos olhos quando a imaginação está fora de foco.

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