Ela não sabia quem era, nem o que era real. Não sabia como era ser feliz.
E, naquela noite, era um olhar como outro qualquer, mas lhe chamou atenção. Intrigada, foi pra casa sem esquecer aqueles olhos -que sequer a olharam-. Com a certeza de nunca mais vê-los, adormeceu. Mal sabia que já se encaminhava para o precipício, mal sabia o quão perto estava.
Dias depois, aqueles olhos reapareceram em uma foto qualquer de uma rede social. E a convidaram para sair. E posso dizer com toda certeza que não foi o convite que a deixou eufórica. Foram as palavras. Foi aquele encaixe instantâneo que a impressionou. Foram aqueles olhos. Ela foi, sem saber exatamente o que queria, mas atraída pelo sorriso moleque dele. Tudo aconteceu tão rápido, de repente ela não sabia mais onde estava. Tinha medo, sabia que havia um precipício próximo, mas não conseguia parar de caminhar. E foi então que 20 dias já pareciam um ano inteiro. A primeira noite mágica e perfeita em que amanheceram comendo pão de queijo na calçada. Os amassos na escada, os assuntos, os sorrisos, as piadas irônicas que só eles entendiam. A molecagem dos dois se encaixando. A primeira transa. A noite em que ele a olhou daquele jeito que a arrebatou. As músicas, as festas, as conversas intermináveis. Aquele violão, ah, aquele violão. Ela já não sabia como em 20 dias havia tantos detalhes para amar. E teve certeza que era aquele precipício que ela ansiava durante seus monótonos 21 anos. Era aquela queda, aquela magia, aquela sensação. Era o frio na barriga.
Dia após dia, se apaixonou por cada novo detalhe. Não se apaixonou somente por ele, mas também por aquilo que descobriu poder sentir. E o tempo foi passando, semanas, meses. Noites, filmes, olhares, músicas. Brigas também, mas histórias, acima de tudo. Histórias somente deles, intimidade. Dia após dia, ela sugou cada partícula de magia e aprofundou essa relação.
Tudo para ela era incomum; era novo, era diferente. Mas para ele, tudo era comum até demais. Os dois viviam a história de maneiras diferentes. De lados opostos. Mas se encaixavam, isso não dá pra negar.
Perdeu a cabeça. Se perdeu. Se jogou. Ela nunca soubera antes o que era paixão, tudo lhe encantava; não soubera antes o que era tesão, tudo lhe desnorteava. Mas as diferenças foram se tornando cada vez mais notáveis, e começou a ficar entre eles a falta do encanto exagerado que pulsava no seu coração. Ela foi ao céu, e caiu ao inferno. E voltou, tantas e tantas vezes. Subindo e descendo num encanto e desencanto contínuo. A falta de sensações da vida toda foi preenchida pela intensidade -da felicidade e do sofrimento- que esse sentimento lhe proporcionava.
Com o desgaste, sutilmente ela o viu se afastando. No fundo sabia que isso aconteceria. Ele a preenchia, mas ela não bastava pra ele. Parecia tão injusto. Talvez ele fosse seu primeiro amor. Talvez ela fosse apenas mais uma paixão como tantas outras.
Porém ela não conseguia se arrepender, tudo isso a fazia se sentir viva. Provava do encanto, da paixão, do amor, da loucura. Continuava lutando, mesmo sem saber onde ia dar. Mesmo sem saber se lutava sozinha. Enquanto ainda havia magia, ela lutava. Enquanto ainda sentia, pirava. Era intenso, e ela não podia abrir mão disso sem tentar. Ela continuava se entregando, mesmo quando ele parecia não se doar. Mesmo que ele desse passos para longe, ela ainda se mantinha perto. Não lhe parecia uma dessas histórias de contos de fadas, com final feliz; tudo apontava que ela simplesmente ia cair e não mais subir. Que iriam se distanciar o bastante pra nunca mais haver caminho de volta. Mas o sentimento lhe ensinou o otimismo, a esperança.
Mas veja que, independente dos caminhos, era mais uma história pura de primeira vez, e iria continuar sendo. E é disso que o encanto é feito. Essa história, de uma maneira ou de outra, já havia lhe proporcionado tantas sensações, ensinado tantas coisas.
Ela sabia que ainda havia muito a sentir e muito a aprender. Não se importava mais com a chegada, com o fundo do precipício. A queda já lhe valia muito a pena.
Porém ela não conseguia se arrepender, tudo isso a fazia se sentir viva. Provava do encanto, da paixão, do amor, da loucura. Continuava lutando, mesmo sem saber onde ia dar. Mesmo sem saber se lutava sozinha. Enquanto ainda havia magia, ela lutava. Enquanto ainda sentia, pirava. Era intenso, e ela não podia abrir mão disso sem tentar. Ela continuava se entregando, mesmo quando ele parecia não se doar. Mesmo que ele desse passos para longe, ela ainda se mantinha perto. Não lhe parecia uma dessas histórias de contos de fadas, com final feliz; tudo apontava que ela simplesmente ia cair e não mais subir. Que iriam se distanciar o bastante pra nunca mais haver caminho de volta. Mas o sentimento lhe ensinou o otimismo, a esperança.
Mas veja que, independente dos caminhos, era mais uma história pura de primeira vez, e iria continuar sendo. E é disso que o encanto é feito. Essa história, de uma maneira ou de outra, já havia lhe proporcionado tantas sensações, ensinado tantas coisas.
Ela sabia que ainda havia muito a sentir e muito a aprender. Não se importava mais com a chegada, com o fundo do precipício. A queda já lhe valia muito a pena.
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