Ainda me lembro quando, aos 13 anos, percebi que havia algo errado. Sim, eu era uma criança, mas todas as outras crianças amadureciam e evoluíam lentamente, e eu permanecia igual. Poderia ser absolutamente normal, mas hoje, quase 9 anos depois posso ter certeza que de normal não tenho nada.
Ainda guardo alguns daqueles murais que eu costumava fazer; se alguém os visse talvez eu fosse internada em algumas dessas clínicas aparentemente acolhedoras, feitas pra distanciar pessoas indesejáveis. Murais de dores, de defeitos, de críticas, de ofensas. Murais com tudo de pior que eu já tinha ouvido e vivenciado. Tudo de pior que transbordava em mim. Com 13 anos não podia ser tanta coisa assim. Hoje me recuso a tentar fazer murais, seriam sempre pequenos demais. Seriam assustadores demais.
Hoje foi mais um dia difícil, um dia de luta, e eu desabei. Ele me olhou com impaciência e disse que sou apenas uma menina mimada. Não é a primeira vez que alguém me diz algo semelhante; talvez eu seja isso mesmo. Aliás, tenho quase certeza que sou. Uma menina mimada, criança, irresponsável. A imagem que tenho de mim mesma já é péssima o suficiente, eu não preciso ouvir ninguém reforçar isso, mas as pessoas continuam dizendo. As críticas me perseguem o tempo todo. Quando não as ouço, as sinto, quando não as sinto, meus pensamentos fazem questão de brotar com milhares delas. Eu não posso listar todas as palavras que me vem a cabeça, seria loucura. Já existe loucura demais em minha vida.
Eu quis ajuda, eu juro que quis, mas desisti. Hoje vejo que não existe solução pra mim. O que tenho por dentro é horrível demais, é impregnado demais. Sim, pode julgar, pode pisotear, eu não encontrei o culpado, então a culpa deve ser mesmo minha.
Eu não sei não odiar o que vejo no espelho todos os dias quando acordo. Não sei não me culpar por ver o caminho em minha frente, e simplesmente não conseguir segui-lo. Tudo o que consigo fazer é tentar diariamente parecer normal. Porque estou cansada de ser bombardeada, então passo o meu tempo me desviando disso.
Eu simplesmente não consigo espantar essa tristeza profunda que me incapacita de viver em paz. Eu sorrio forçado, e tento apenas me relacionar bem com as pessoas a minha volta. Mas eu estou um pouco cansada. Estou esgotada. Eu deixei de acreditar que continuar tentando faz algum sentido. Eu deixei de acreditar em mim. Eu deixei de acreditar em qualquer coisa que seja.
Me dopar ficou cada vez mais difícil, porque os pensamentos são altos demais. Eu me largo, mas não me esqueço. O choro não cessa até que eu desfaleça por alguns segundos. Os olhos incham, adormecem os dedos. Eu me sufoco, eu grito, eu soco a primeiro travesseiro que ousar estar no meu caminho. Nada passa. A dor continua me torturando e me matando aos poucos. Eu não sinto vontade de levantar, de comer, de sorrir, de amar. Não sinto vontade de estudar, de ler, de sonhar. Não sinto mais vontade alguma, e a angústia só faz crescer. Tenho medo de chegar um dia em que ela simplesmente me tome por inteira.

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Não se pode confiar nos olhos quando a imaginação está fora de foco.

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