"Nosso corpo expulsa ameaças e tudo que já não presta. Com um certo atraso, meu coração finalmente espirrou você. Nunca me senti tão aliviada. Sem mágoas, sem rancores, sem ódio ou arrependimentos. Foi maravilhoso, há muito tempo atrás. Foi pesadelo, mas já não importa mais. Te expeli, graças a Deus. Conquistei paz. Acontece que levou muito tempo pro meu corpo identificar seu corpo como estranho no meu. Demorou uma eternidade pro meu organismo te detectar como perigo e eu não tenho mais esse tempo pra perder. Essa saúde pra arriscar. Acabei alérgica ao amor, pra não terminar doente dele outra vez. Mas é alergia restringida ao amor barato, que infelizmente é maioria, pelo menos nas esquinas que eu cruzo. Pseudo amor que só serve pra virar câncer dentro da gente e dar trabalho pra curar. Tudo isso pra que, meia dúzia de dias felizes? Não vale a pena, muito obrigada. Minha balança tá afiada, depois de tanto tempo sem usar. Só depois de conhecer os dias de angústia, entendi o valor dos dias calmos, mesmo que o vazio dê as caras em meio á tanta calmaria, de vez em sempre. Porque até o nada é muito melhor do que a dor da não reciprocidade. O peso dos planos rasgados, porque era patético planejar futuro pro que nem tinha presente. A saudade que violenta e grita sempre que você tá ali, sofrendo sozinha. Ninguém entende quando eu falo, com a maior propriedade do mundo, que é melhor ficar só, do que mal acompanhada. Não é hipocrisia, eu quero muito um amor verdadeiro, sinto falta de ser dois e não escondo de ninguém que ser sozinha cansa. Mas reforço: quero amor verdadeiro. Menos que isso, eu espirro. É tudo questão de pôr na balança."

Marcella Fernanda


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