E naquela noite, então, enquanto estávamos abraçados, ele me olhou nos olhos e perguntou porque eu gostava dele.
(Eu gostava porque ele fazia com que eu me sentisse especial, bonita, maligna, doce. Eu gostava porque o sorriso dele era torto e era lindo, e a voz dele me acalmava. Eu gostava porque nossas conversas eram sempre tão divertidas e o jeito que ele me fazia rir era único. Gostava de como ele pegava na minha perna na frente de todo mundo e nas minhas coxas quando estávamos sozinhos. Gostava do jeito que ele dizia que gostava de mim; do jeito que ele conversava, do jeito que ele ria, do jeito que ele cantava.  Eu gostava daquele jeitinho dele de me olhar, que me hipnotizava e me deixava meio boba, e gostava do abraço dele. Gostava de ouvir com ele as minhas músicas preferidas, e vê-lo cantar com aquele inglês terrível e me segurar pra que eu continuasse ouvindo. Gostava de como ele me segurava e de como ele gemia alto de prazer. Eu me perdia no cheiro dele e nos olhos dele e nos lábios dele, eu me perdia na voz, no tom, nas palavras. Eu me perdia naquela canção. Eu gostava porque a gente se divertia juntos e bebia juntos e fazia de tudo uma festa, porque a gente conversava sobre tudo e porque eu me sentia confortável em qualquer lugar com ele. Gostava simplesmente porque ele era amável demais e tosco demais ao mesmo tempo e eu sempre queria mais.
Gostava porque meu coração batia forte e porque ele... bem, ele era um cara que eu mal conhecia, e já havia despertado em mim as melhores sensações)
Mas eu olhei de volta nos olhos dele e me calei. Talvez eu precisasse me proteger, talvez no dia seguinte ele fosse me esquecer e guardar as minhas palavras no baú de vaidade dele, já tão cheio de elogios exagerados de apaixonadas deixadas pra trás. Ele me deu um olhar indecifrável e me abraçou. Talvez no fundo ele soubesse que o que eu tinha pra falar era grande demais e não cabia naquele momento. E naquela noite, eu o apertei com mais força.

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Não se pode confiar nos olhos quando a imaginação está fora de foco.

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