'Mas é que por acaso eu encontrei aquela foto. E aí me veio uma lembrança boba do seu jeitinho de sorrir. Assim, sem pedir licença, chegou a saudade daquele cheiro que me embriagava; a mistura do cheirinho da sua roupa, do seu sabonete, do seu perfume, do seu xampu. O seu cheiro. E eu me vi suspirando e tentando entender o porquê ele nunca mais foi igual. 
Me veio uma lembrança forte daquela sensação que nunca mais se repetiu. Aquela que eu sentia quando ficava dois dias sem te ver e então te abraçava. A que me invadia por inteira quando você me olhava; uma sensação de paz, de conforto, de segurança, a mistura de tudo de melhor que você me despertava.
Comecei a reviver as cenas na minha memória, e senti aquele friozinho bom na barriga.
Eu vi você brincando com meu cachorro como se fosse nosso, vi você sentado me olhando cozinhar, vi aquela tarde em que choveu tanto que tivemos medo do teto cair sobre nós. Senti de novo o cheirinho da blusa que você esqueceu na minha casa -de propósito, talvez- só pra ter que buscar no dia seguinte de manhã. Revivi as diversas manhãs que fugimos da aula juntos, e as tantas vezes que eu perdi a matéria de tanto olhar pra você. 
Aquela magia, aquela sensação, será que um dia vou sentir tudo outra vez? Fechei os olhos e vi a gente no alto daquela montanha, olhando a cidade deitados no colo um do outro, e você rindo de como eu tinha medo de altura. 
Eu não sinto saudades de você, porque você já não é o mesmo e nós não somos os mesmos juntos. Eu sinto saudades de tudo aquilo que a gente viveu. Você foi meu amigo, meu colega, meu parceiro. Me escutou contar mil vezes a história da minha vida, me deu colo, riu das minhas piadas, e tudo o que eu queria era que você me conhecesse sempre mais e mais, com você eu não tinha medo de ser quem eu realmente era. Eu era transparente e me sentia leve. E mesmo me conhecendo profundamente, você me amou. De verdade; sem jogos, sem desculpas, sem medo.
Eu olhei pr'aquela foto por horas seguidas, e então parei de suspirar e tive que voltar a realidade. O conto de fadas acabou. Pela janela, te vi passar, os olhos já não tinham aquele brilho diferente, ou apenas não brilhavam mais pra mim. E você já não me olhava mais daquele jeito, aquele que me derretia. Queria de volta o meu menino, aquele menino, mas tudo o que me restou foram essas lembranças maravilhosas. E tenho que me contentar com elas.

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Não se pode confiar nos olhos quando a imaginação está fora de foco.

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